A China mudou, mais uma vez, as regras destinadas a controlar o mercado dos híbridos plug-in (PHEV), impondo alterações na autonomia em modo eléctrico, mas também limitações nos motores de combustão que assumem o papel de motor principal. De acordo com a Automotive News, os construtores alemães sentem que isto é uma estratégia para afastá-los do mercado.

Os veículos equipados com mecânicas híbridas plug-in surgiram como um primeiro passo rumo aos carros eléctricos, pois permitiam pequenas deslocações em modo eléctrico, de início até 50 km, para depois recorrerem ao motor a combustão para viagens mais longas, com a adopção de baterias cada vez maiores a incrementar a autonomia em modo eléctrico. À semelhança desta estratégia seguida pela Europa, também a China tem vindo a aumentar a capacidade dos PHEV de circular em modo zero emissões, mas não só, isto para usufruir de taxas reduzidas e incentivos fiscais.

Em 2025, a China registou mais de 31 milhões de veículos vendidos no seu mercado doméstico. Entre estes, 39% eram 100% eléctricos e 24% PHEV, com estes últimos a serem a segunda categoria mais importante, no que toca a receber incentivos ou a usufruir de taxas mais favoráveis. Originalmente, para ter acesso a benefícios, os PHEV tinham de oferecer uma autonomia de 43 km, valor que em Janeiro de 2026 evoluiu para 100 km, obrigando a baterias maiores, tornando este tipo de veículos mais dependentes de ajudas estatais para serem competitivos, uma vez que maiores baterias correspondem a preços mais elevados.

Agora, a China prepara-se para obrigar os PHEV a oferecer uma autonomia de 160 km, o que força ao uso de acumuladores ainda maiores e mais caros, muito superiores aos que são utilizados na Europa, onde 80 km é o objectivo. Simultaneamente, a autoridade chinesa pretende impôr um mínimo de eficiência aos motores a combustão que animam os PHEV. Esta decisão tem como consequência o fim dos grandes motores V6 e V8 que alguns PHEV europeus oferecem, cujos consumos são necessariamente elevados, bem como as emissões.

O elevar da fasquia da autonomia eléctrica, que obriga a baterias maiores, bem como a redução da cilindrada e da potência dos motores a combustão, para serem mais “poupadinhos”, são apenas pormenores para os construtores chineses, mas representam uma machadada definitiva para os construtores estrangeiros, especialmente as marcas de luxo alemãs, que têm óbvias dificuldades em se adaptar às novas directrizes, por estarem demasiado afastadas das exigências europeias. Estes construtores, que têm grande representação entre os clientes do mercado de luxo, acreditam que as alterações a introduzir nas regras dos PHEV se destinam especificamente a afastá-los do mercado chinês de forma artificial. E não deixa de ser curioso, uma vez que foram exactamente as marcas alemãs que mais vigorosamente se bateram pela suavização das penalizações aos construtores chineses à entrada da Europa, com receio que retaliassem no mercado doméstico.