O uso indiscriminado de corticoides pode provocar glaucoma e levar à cegueira, segundo alerta de especialistas divulgado pela Agência Brasil nesta segunda-feira, 8 de junho. A doença afeta o nervo óptico, geralmente associada ao aumento da pressão ocular, e pode causar perda progressiva e irreversível da visão.
O risco é maior entre pessoas sensíveis ao uso de corticoides, especialmente quando os medicamentos são usados sem acompanhamento médico, por períodos prolongados ou em doses inadequadas. O problema inclui colírios, pomadas, comprimidos, injeções e outros formatos que podem ser consumidos pela população sem a real percepção de perigo.
A automedicação é um dos pontos mais críticos. Corticoides são medicamentos potentes e úteis em várias condições inflamatórias, alérgicas e autoimunes, mas seu uso exige avaliação profissional. A busca por alívio rápido pode mascarar sintomas, agravar doenças e provocar efeitos colaterais graves.
O alerta também expõe falhas no controle sanitário e na educação em saúde. A venda facilitada, a reutilização de receitas antigas e a recomendação informal entre familiares e conhecidos aumentam o risco de uso inadequado.
A crítica é que o Brasil ainda trata automedicação como hábito cultural, não como problema de saúde pública. Farmácias, profissionais de saúde, órgãos reguladores e campanhas públicas precisam reforçar que medicamento não é produto comum. O que parece solução rápida pode gerar dano permanente.
Pacientes que usam corticoides com frequência devem procurar orientação médica e realizar acompanhamento oftalmológico quando indicado. No caso do glaucoma, diagnóstico precoce é decisivo para evitar perda visual. O perigo é justamente esse: quando a pessoa percebe o dano, parte da visão pode já não voltar.