Wikimedia Commons / Jebulon

Uma estátua de d’Artagnan no túmulo de Alexandre Dumas, em França.

Wim Dijkman já ficou duplamente famoso, nas últimas semanas. Diz que a Câmara está a interferir em demasia na descoberta.

A primeira surpresa foi há pouco mais de um mês: terão sido descobertos os restos mortais de D’Artagnan, talvez o mosqueteiro mais conhecido no planeta.

Morreu há mais de 350 anos, mas foi descoberto nos Países Baixos um esqueleto que será, muito provavelmente, de Charles de Batz de Castelmore, colaborador próximo do Rei Sol Luís XIV de França, conhecido como Conde d’Artagnan.

A descoberta decorreu num túmulo em frente ao altar da Igreja de São Pedro e São Paulo, em Maastricht. Também foram encontrados uma bala de mosquete e uma pequena moeda de bronze cunhada em 1660.

O arqueólogo holandês, um independente, local, que encontrou o esqueleto chama-se Wim Dijkman – que agora foi… detido.

Wim Dijkman recusou entregar os restos mortais à Câmara Municipal de Maastricht e, por isso, teve este rumo inesperado: foi detido.

Segundo o De Limburger, o arqueólogo diz que a Câmara Municipal está a interferir demasiado na descoberta e que o seu trabalho está a receber pouco reconhecimento, que não lhe estão a dar os créditos que merece.

Do outro lado, a Câmara Municipal de Maastricht avisa que a responsabilidade do projecto é precisamente da Câmara. E, de facto, é isso que dita a Lei do Património local.

“Estão com um amigo”

Há aqui um contexto: Wim Dijkman foi arqueólogo ao serviço da Câmara Municipal de Maastricht durante mais de 40 anos. E o investigador alega que os ex-colegas na Câmara têm inveja da sua descoberta.

“É por isso que agora estão a enviar a fiscalização do património histórico atrás de mim. Como se eu fosse membro de uma organização criminosa”. “A cidade e a igreja estão a maltratar-me, a caluniar-me!”, lamentou, em entrevista ao jornal local De Nieuwe Ster Maastricht.

Os inspetores do património histórico bateram à porta de Wim Dijkman. Exigiram que entregasse o osso do braço e os dois dentes. Mas, segundo o próprio, tinha deixado os restos mortais com um amigo. “Infelizmente, é assim que tenho de jogar o jogo”, justificou.

A Câmara Municipal acusa o arqueólogo de as escavações não terem sido realizadas de acordo com as normas e que as mesmas podem ter destruído provas vitais necessárias para identificar os restos mortais.

O arqueólogo reconhece que infringiu a lei ao ocultar os restos ósseos. Mas, assegura, agiu com integridade, movido por um sentido histórico. “Tornou-se uma questão de princípio”.

D’Artagnan foi assassinado durante o Cerco de Maastricht em 1673, mas viria a ser imortalizado como o “4.º Mosqueteiro” nas famosas histórias de aventuras de “Os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas.

Há muito que se dizia que os seus restos mortais teriam sido sepultados nesta igreja, mas até agora não havia sido encontrada qualquer prova.


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