Quando a seleção portuguesa chegar à Florida, na próxima sexta-feira, vai fazê-lo em plena época de furacões do Atlântico. A temporada das tempestades tropicais na Bacia do Atlântico, que inclui o Mar do Caribe e o Golfo do México, arrancou no dia 1 de junho e prolonga-se até 30 de novembro.
Ora isto não é um pormenor, e a preocupação das autoridades locais serve de alerta.
Pete Gomez, diretor do Departamento de Gestão de Emergências de Miami-Dade, admitiu publicamente estar «muito preocupado» com a chegada de milhões de visitantes de todo o mundo a uma região onde as tempestades tropicais são uma realidade sazonal.
«É uma comunidade nova que chega à nossa região e estamos preocupados em garantir que consigam perceber a mensagem, porque vêm de todas as partes do mundo e não sabem o que é um furacão», disse aos jornalistas.
Junho e julho: o risco real
A atividade tropical tem a janela mais intensa entre meados de agosto e meados de outubro, com o pico da temporada a ocorrer por volta do dia 10 de setembro. Por isso, junho e julho são historicamente os meses mais calmos da época. Junho representa apenas 7 por cento das tempestades atlânticas, contra 35 por cento em setembro e 22 por cento em agosto.
No entanto, e como aviso, nos últimos seis anos, pelo menos duas grandes tempestades formaram-se em cinco desses seis meses de junho.
Os próprios meteorologistas lembram que o risco de tempestades aumenta quando existe abundância de água quente, que serve de combustível. E as temperaturas da superfície do mar estão acima da média para esta época do ano: na Península do Yucatán e nas águas próximas da Florida a temperatura da superfície do mar está acima do limiar dos 27 graus.
Ora isto deixou as autoridades em alerta, até porque tipicamente a primeira tempestade surge no início de junho, o primeiro furacão no final do mesmo mês e o primeiro grande furacão em meados de julho. O que significa que todo o Mundial encaixa nesta janela de risco.
O que acontece se uma tempestade atingir Miami?
A perceção geral é que, em caso de impacto direto de uma tempestade significativa, os jogos teriam de ser adiados ou até mesmo transferidos. Para se preparar para isso, o Miami Stadium – onde Portugal vai defrontar a Colômbia – já realizou vários simulacros de emergência e os funcionários que trabalham no recinto, segundos as autoridades, já efetuaram mais de 120 formações, para saber como lidar com as multidões em caso de necessidade.
Para além disso, o governo da Flórida fez um contrato para garantir traduções em várias línguas dos alertas e das instruções de atuação: é importante os visitantes estarem preparados para a necessidade de se abrigarem (num mínimo de meia-hora) em sítios públicos preparados pelo governo – como escolas ou pavilhões -, ou conseguirem perceber se o local onde se hospedaram é uma zona geográfica de evacuação, por exemplo.
Previsões das autoridades para este ano
Agora as boas notícias: as previsões das autoridades que monitorizam a atividade tropical apontam para um ano abaixo do normal em atividade tropical: 8 a 16 grandes tempestades, dependendo de quem faz o estudo, e 3 a 7 furacões. Além disso, e isto é importante: a esmagadora maioria destes fenómenos não atingem o continente dos Estados Unidos.
De seguida, pode ver as previsões que cada organismo para o total da época, de 1 de junho a 30 de novembro:
NOAA:
Tempestades grandes: 8-14
Furacões: 3-6
Furacões de grande intensidade: 1-3
ACCUWEATHER:
Tempestades grandes: 11-16
Furacões: 4-7
Furacões de grande intensidade: 2-4
UNIVERSIDADE DO COLORADO:
Tempestades grandes: 13
Furacões: 6
Furacões de grande intensidade: 2
WEATHERTIGER:
Tempestades nomeadas: 10-15
Furacões: 4-7
Furacões de grande intensidade: 1-3
Para a seleção portuguesa, o cenário mais provável continua a ser preparar-se e jogar em Miami sem sobressaltos meteorológicos. A comitiva vai estabelecer-se em Palm Beach de 13 a 28 de junho, tendo o jogo frente à Colômbia em Miami agendado para dia 27 de junho.
Ou seja, trata-se de um período que cabe dentro da janela temporal das tempestades tropicais, mas no mês em que existe menos atividade e num ano em que se prevê menos fenómenos do que o que é historicamente habitual. Mas, lá está, convém ficar sempre atento.