NOAA NWS / NCEP Climate Prediction Center

Efeitos globais do El Niño de dezembro a fevereiro

O fenómeno meteorológico El Niño chegou, anunciou esta quinta-feira a NOAA, agência científica norte-americana para  os oceanos e atmosfera. É uma “sirene mortal a temer”. Os cientistas esperam que se intensifique até ao final do ano, podendo atingir uma intensidade histórica.

Havia uma probabilidade de 85% de que o El Niño chegasse já este verão. E aconteceu mesmo, diz a NOAA: aí está o desta vez super-poderoso fenómeno meteorológico cíclico.

O El Niño é um fenómeno climático natural que aquece as temperaturas à superfície no Pacífico equatorial central e oriental, provocando alterações nos ventos, nos padrões de precipitação e no tempo instável em várias regiões do mundo.

Os cientistas receiam que venha agravar o calor num planeta que já está a aquecer devido à queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que intensifica fenómenos meteorológicos extremos.

No seu mais recente boletim, os cientistas da NOAA afirmaram que “as condições de El Niño desenvolveram-se ao longo do último mês”, como demonstram as temperaturas à superfície do mar acima da média no Pacífico.

“Há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, que figuraria entre os maiores eventos de El Niño no registo histórico desde 1950”, lê-se no boletim.

Cada El Niño é diferente, mas os episódios mais intensos costumam seguir padrões conhecidos. Entre eles estão secas em partes da Amazónia, da Indonésia e da Austrália, perturbações nas monções na Índia e alterações na distribuição da precipitação em toda a região tropical.

O fenómeno ocorre, em geral, a cada dois a sete anos e dura cerca de nove a 12 meses. O El Niño tende a atingir o pico no final do ano, mas o calor acumulado nos oceanos é libertado mais lentamente para a atmosfera, elevando as temperaturas globais no ano seguinte.

“Uma sirene mortal”

O Copernicus Climate Change Service, da União Europeia, afirmou na quarta-feira que os meteorologistas mundiais estavam cada vez mais confiantes na possibilidade de se formar, ainda este ano, um padrão meteorológico de aquecimento associado a um El Niño muito forte.

“Nesta fase, as probabilidades apontam claramente para um evento moderado a forte, ou provavelmente forte a recordista”, explicou à AFP o diretor do serviço, Carlo Buontempo.

Em reação à previsão da NOAA, Mohamed Adow, diretor do centro de estudos sobre clima e energia Power Shift Africa, sediado em Nairobi, afirmou que, para milhões de pessoas em todo o mundo, “não se trata apenas de mais uma previsão meteorológica”, mas de uma “sirene mortal a temer”.

“Significa chuvas falhadas, culturas a morrer, preços dos alimentos a subir e famílias novamente empurradas para o limite.”

No início deste mês, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao mundo para que trate o provável fenómeno meteorológico intenso que se aproxima “como o aviso climático urgente que ele é”.

“As condições de El Niño vão deitar gasolina sobre o fogo de um mundo em aquecimento”, afirmou Guterres. “A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise: acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e garantir sistemas de alerta precoce para todos.”


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