
Um ecossistema composto por mamutes, bisontes, cavalos e grandes felinos foi revelado através do estudo dos excrementos de pequenos roedores que provavelmente se alimentavam desses animais.
Os esquilos do Ártico (Urocitellus parryii) são roedores com cerca de 40 centímetros de comprimento, encontrados em regiões frias da América do Norte e da Sibéria.
“Os esquilos hibernam durante cerca de oito meses do ano e, nos quatro meses em que estão acordados, precisam de sair, comer e trazer o máximo de recursos possível para a sua toca”, afirmou o primeiro autor do estudo, Tyler Murchie.
Segundo a New Scientist, isto significa que as suas tocas podem conter frequentemente uma grande quantidade de bolsas fecais e reservas de comida.
Num novo estudo, publicado esta terça-feira na Nature Communications, os cientistas analisaram as fezes preservadas de 13 tocas de esquilos terrestres do Ártico na região central do Yukon, no Canadá, que estavam congeladas no permafrost.
As tocas datam de um período compreendido entre cerca de 30.000 e 700.000 anos atrás. A partir dos excrementos, cada um com cerca de 1 a 2 centímetros de comprimento, a equipa extraiu ADN pertencente a diversos organismos.
Estes incluem micróbios, mais de 200 grupos diferentes de plantas e animais, incluindo insetos, outros roedores, mamutes, cavalos, lobos cinzentos, bisontes e um felino que era uma chita ou um puma. Apesar de se pensar que os esquilos terrestres se alimentam principalmente de nozes e sementes, esse não é o caso.
“Na verdade, são bastante omnívoros, quase como pequenos ursos. Há relatos de esquilos terrestres a comerem carcaças de alces e linces, pelo que o facto de encontrarmos todos estes animais de grande porte nos seus coprólitos não é, na verdade, assim tão surpreendente”, acrescentou Murchie.
Os investigadores utilizaram o ADN que encontraram para reconstruir genomas mitocondriais de animais de diferentes épocas. Entre estes incluíam-se 12 esquilos terrestres, três cavalos, dois bisontes e uma lebre.
Também encontraram ADN suficiente para reconstituir seis genomas de mamutes-lanosos, mas os detalhes sobre estes serão publicados em outro estudo.
No entanto, é difícil saber se o ADN de uma determinada espécie está presente num coprólito porque foi ingerido por um esquilo terrestre ou porque existia no ambiente e foi absorvido. É possível que os roedores tenham consumido carne de mamute, dada a quantidade de ADN presente nas amostras e o facto de os esquilos terrestres serem frequentemente necrófagos.