NIAID

Bactérias E.coli vistas ao microscópio electrónico

Uma equipa de cientistas descobriu que células individuais de Escherichia coli (E.coli) conseguem transportar vestígios de experiências passadas, influenciando o seu comportamento futuro. 

Num estudo, publicado o mês passado na PRX Life, os investigadores observaram células de E.coli num dispositivo microfluídico, um sistema de câmaras que mantém as bactérias imobilizadas enquanto um líquido circula à sua volta. Esta tecnologia permitiu alternar as células entre ambientes pobres e ricos em nutrientes, monitorizando simultaneamente o seu crescimento através de microscopia.

Segundo o ZME Science, as células expostas a oscilações mais rápidas na disponibilidade de nutrientes adaptaram-se mais rapidamente do que aquelas sujeitas a alterações mais lentas.

Em algumas experiências, os cientistas acompanharam cerca de 30 mil históricos de crescimento de células individuais, obtendo uma visão detalhada da forma como as condições passadas influenciam o comportamento posterior.

“Durante muito tempo, assumiu-se que o crescimento bacteriano era determinado apenas pelo ambiente em que a célula se encontrava naquele momento”, explicou o primeiro autor do estudo, Josiah Kratz.

Os resultados sugerem que esta memória tem origem no mecanismo de produção de proteínas da célula, em particular nos ribossomas.

Alguns processos associados aos ribossomas parecem responder rapidamente às alterações ambientais, enquanto outros evoluem de forma mais lenta. Em conjunto, estes mecanismos podem permitir que a célula retenha informação durante períodos que variam entre alguns minutos e várias horas.

Contudo, esta memória tem um custo.

Embora as bactérias que desenvolveram esta capacidade se adaptem mais rapidamente a mudanças no ambiente, apresentam um crescimento mais reduzido a longo prazo. Em vez de maximizarem o crescimento imediato, parecem privilegiar a preparação para futuras instabilidades.

A descoberta não significa que as bactérias pensem, planeiem ou se lembrem da mesma forma que os animais. Uma célula pode exibir memória sem qualquer forma de consciência. Neste caso, essa memória parece estar armazenada em redes químicas, níveis de proteínas e moléculas herdadas, que podem ser transmitidas de uma geração bacteriana para a seguinte.

As conclusões do estudo poderão também ter implicações importantes na investigação de infeções bacterianas. A resposta de uma bactéria a um antibiótico poderá depender não apenas das condições presentes, mas também da sua história recente, incluindo períodos anteriores de escassez de nutrientes, exposição a temperaturas extremas ou contacto prévio com baixas doses de medicamentos.


Subscreva a Newsletter ZAP