Alfama venceu a edição deste ano do Concurso das Marchas Populares de Lisboa, anunciou, este sábado, a Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), responsável pela organização da iniciativa. Em segundo lugar ficou Alcântara e em terceiro Madragoa.

“Oito anos depois, a Marcha de Alfama volta a vencer o concurso das Marchas Populares de Lisboa, com o tema “Os santos devem estar loucos”, que retrata “o contraste entre a tradição da marcha e as mudanças sentidas no bairro”, lê-se num comunicado da EGEAC.


Outros grupos estiveram este ano no concurso: Graça (4.º), Bairro Alto (5.º), Beato e Bica (6.º ex-aequo), Carnide e Olivais (8.º ex-aequo), Mouraria (10.º), Alto do Pina (11.º), Marvila e Penha de França (12.º ex-aequo), Benfica (14.º), São Vicente (15.º), São Domingos de Benfica (16.º), Bela Flor Campolide (17.º), Bairro da Boavista e Castelo (18.º ex-aequo) e Ajuda (20.º).

Em 2025, Alcântara e Bairro Alto tinham ambas vencido o concurso.

De acordo com informação da EGEAC, Alfama e Madragoa ganharam na categoria de Melhor Coreografia. A Melhor Cenografia foi para Alcântara, que venceu também o Melhor Figurino, em conjunto com a Bica. A distinção da Melhor Letra foi para Alcântara, Alfama, Graça e Olivais.

Quem venceu a Melhor Musicalidade foram as marchas do Alto do Pina e de Alfama, e a Melhor Composição Original foi para Alfama com “Os santos devem estar loucos”, para a Graça com “Na Graça o 13 é sorte” e Alcântara com “À moda de Alcântara”.

Na Avenida da Liberdade, onde milhares de pessoas assistiram à passagem das marchas e suas coreografias, Alfama venceu a distinção de Melhor Desfile. Numa das letras, cantaram pela avenida: “Se o bairro perde a chama, a Marcha devolve a Alfama o sonho e a tradição.” Ao todo, de acordo com a EGEAC, participaram no desfile nocturno da avenida cerca de 2000 pessoas, entre marchantes, padrinhos, ensaiadores ou membros da organização.


Este ano, o júri que avaliou os 20 grupos em competição foi presidido por Vítor Agostinho e composto por Bruno Cochat (coreografia), Hélder Freire Costa (cenografia), José António Tenente (figurino), Maria Inês Almeida (letra), Osvaldo Ferreira (música) e Leonor Padinha (representante da EGEAC).

Antes da competição, o desfile teve início com a tradição folclórica chinesa Dança do Dragão e dos Leões Dourados, apresentada pela Associação Geral Desportiva de Macau Lo Leong. Antes das Marchas em concurso, desfilaram a Marcha Infantil das Escolas de Lisboa, a Marcha Infantil A Voz do Operário, a Marcha dos Mercados e a Marcha Santa Casa.

As Marchas Populares de Lisboa foram feitas, pela primeira vez, em Junho de 1932, como uma forma de atrair pessoas para o recinto do Parque Mayer. Dessa forma, José Leitão de Barros projectou um concurso com ranchos folclóricos de bairros antigos e convidou colectividades. Na primeira edição, participaram Campo de Ourique, Bairro Alto e Alto do Pina – que ficaram assim classificados do primeiro ao terceiro lugar, respectivamente. Nesse mesmo ano, houve outra edição em que estiveram ainda Madragoa, Alfama e Alcântara.

As Marchas ganharam projecção, acabaram por ter o apoio do município (tal como têm ainda hoje), passaram a ter regulamento e são integradas nas Festas da Cidade. Outros locais do país também imitam este espectáculo.

Hoje continuam a estar integradas nas Festas da Cidade. Sob o tema “Somos Lisboa. Somos Europa”, as 20 marchas a concurso, que já se tinham apresentado na Meo Arena, foram avaliadas e pontuadas por um júri consoante os figurinos, as músicas e as coreografias originais, retratando os vários bairros lisboetas participantes.

Apesar do tema geral, houve diversidade nos assuntos abordados pelos grupos em competição, como os cauteleiros, a calçada portuguesa, Ulisses e Ophiussa, o beijinho português, o fado, ou as gentes do bairro.

Além das marchas, casamentos e arraiais, a programação das Festas de Lisboa tem este ano, durante o mês de Junho, mais de 40 iniciativas, “maioritariamente gratuitas”, espalhadas pela cidade, com concertos, cinema ao ar livre, exposições e festivais multiculturais.

O encerramento das Festas de Lisboa decorre no dia 26 de Junho nos Jardins da Torres de Belém, com um concerto a cargo de Matias Damásio, Rita Guerra, Ivandro e Héber Marques, terminando com um espectáculo de fogo-de-artifício a iluminar o céu da cidade.