A infra-estrutura cibercriminosa ligada ao Campeonato do Mundo FIFA 2026 já está activa, revela um relatório da empresa de cibersegurança Fortinet publicado no início de Junho. Entre Janeiro e Maio deste ano foram registados mais de 13 mil novos domínios relacionados com o Mundial. Cerca de 8,8% desses domínios foram identificados como maliciosos ou suspeitos através da análise de padrões e actividade fraudulenta. A investigação evidencia um vasto ecossistema de ameaças concebido para explorar o interesse de adeptos, colaboradores, patrocinadores e organizações ligadas ao evento.

Os esquemas de venda de bilhetes continuam entre as ameaças mais comuns. A Fortinet identificou várias páginas fraudulentas que imitam os canais oficiais da FIFA para roubar dados pessoais, informações bancárias e credenciais de acesso. Em alguns casos, para aumentar a credibilidade, as burlas incluem ainda falsos pacotes de viagem com voos e alojamento.

As tácticas utilizadas são variadas, desde o phishing, um tipo de ataque cibernético que usa mensagens falsas para tentar obter dados pessoais, financeiros ou palavras-passe, a lojas fictícias, fraudes com cartões-presente e esquemas de obtenção de pagamentos indevidos. No “FIFA World Cup 2026: Cyberthreat Landscape Report”, a empresa sublinha que estes esquemas são promovidos em diversas plataformas como o Telegram, lojas falsas de merchandising e aplicações maliciosas de apostas.

Mais de 1700 contas suspeitas de roubo de identidade

A empresa identificou mais de 1700 contas e canais suspeitos de roubo de identidade relacionados com a FIFA em redes sociais e plataformas de mensagens. Quase 90% destes casos estavam no Facebook e no Instagram. Estas contas são utilizadas para disseminar ligações fraudulentas, promoções falsas, campanhas de phishing e malware.

Foram também encontradas aplicações maliciosas e ficheiros APK — formato utilizado pelo sistema operativo Android para distribuir e instalar aplicações — associados ao Mundial e campanhas de ofertas de emprego falsas que redireccionam as vítimas para páginas fraudulentas de início de sessão com o objectivo de capturar credenciais.


As conclusões mostraram ainda que houve uma grande exposição de dados ligados à FIFA. Foram encontrados mais de 4600 endereços associados à organização em registos de infostealers — literalmente, “ladrões de informação”, que têm como objectivo recolher dados pessoais e profissionais, como nomes de utilizador, palavras-passe, números de cartões de crédito ou credenciais de acesso a serviços online. Nestes mesmos registos também foram expostas mais de 270 mil credenciais de utilizadores e adeptos, assim como mais de 260 credenciais de colaboradores.​

A empresa de cibersegurança aponta para uma possível intensificação das ameaças agora que o campeonato começou e, por isso, recomenda que os utilizadores recorram exclusivamente aos canais oficiais para realizar a compra de bilhetes e evitem fazer downloads a partir de fontes não verificadas. A atenção perante ofertas de emprego relacionadas com o torneio deve também ser redobrada, assim como a verificação de qualquer pedido de pagamento urgente ou promoção associada ao Mundial.