O GAO afirma que a taxa Full Mission Capable — FMC, isto é, o percentual de tempo em que os F-35 podem cumprir todas as missões atribuídas, caiu de 38% para 25% entre os anos fiscais de 2021 e 2025
Um novo relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de auditoria do Congresso dos Estados Unidos, aponta que o programa F-35 continua enfrentando desafios persistentes de sustentação, com queda significativa nos índices de prontidão operacional e aumento dos custos de manutenção e apoio da frota.
O documento, publicado em junho de 2026, afirma que os custos de sustentação do F-35 seguem em alta desde 2021, enquanto o desempenho da frota vem piorando. Segundo o GAO, a taxa de aeronaves capazes de cumprir ao menos uma de suas missões caiu de 67% para 44% entre os anos fiscais de 2021 e 2025. No mesmo período, a taxa de aeronaves plenamente capazes de cumprir todas as missões atribuídas caiu de 38% para 25%.
O relatório descreve o F-35 como o sistema de armas mais caro do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O custo de sustentação ao longo da vida útil do programa, apenas para a frota norte-americana, é estimado em US$ 1,6 trilhão até 2088. Atualmente, os EUA operam mais de 800 aeronaves F-35 e planejam adquirir cerca de 1.700 unidades adicionais até meados da década de 2040.
De acordo com o GAO, o F-35 permanece essencial para as operações de combate e para a defesa territorial dos Estados Unidos, mas o sistema de suporte do programa não tem conseguido acompanhar o crescimento da frota. O relatório aponta que problemas recorrentes, como a falta de peças sobressalentes, limitações na capacidade industrial, dependência excessiva de contratados, dificuldades nos reparos de depósitos e falta de dados técnicos, continuam prejudicando a prontidão das aeronaves.
Em resposta a esses problemas, o Joint Program Office (JPO), responsável pelo programa F-35, atualizou sua estratégia de sustentação, em uma iniciativa chamada Global Support Solution Reset, ou GSS Reset. O plano busca corrigir deficiências históricas na cadeia de suprimentos, ampliar os estoques de peças, acelerar os reparos, melhorar as práticas de manutenção e reduzir o tempo em que as aeronaves permanecem indisponíveis.
O GAO afirma que o GSS Reset é um passo positivo, mas alerta que o plano exigirá cerca de US$ 13,7 bilhões adicionais até o ano fiscal de 2031. Desse total, mais de US$ 7 bilhões deverão ser destinados à compra de peças sobressalentes e outros materiais. O problema, segundo a auditoria, é que o programa continuará dependente da capacidade da indústria privada para entregar esses componentes, em um momento em que gargalos persistem em itens considerados críticos.
Entre as peças com restrições de capacidade industrial estão componentes que já figuram entre os principais responsáveis por deixar aeronaves fora de serviço. O relatório cita ainda que os desafios de sustentação tendem a se agravar à medida que mais F-35 entram em operação e que aeronaves mais antigas passam a exigir um volume maior de manutenção.
O GAO também destaca problemas de corrosão e dificuldades relacionadas ao acesso a dados técnicos. Segundo o relatório, a falta de dados técnicos adequados limita a capacidade de militares e equipes governamentais realizarem determinados reparos sem apoio direto dos contratados. Essa dependência afeta especialmente a capacidade de manutenção em ambientes operacionais avançados ou contestados.
Outro ponto crítico é a gestão financeira do programa. O relatório afirma que deficiências de longa data impedem o Departamento de Defesa de contabilizar plenamente peças sobressalentes do F-35 e seus respectivos custos. Para o GAO, esse problema ameaça tanto o GSS Reset quanto a transição prevista para um fundo rotativo de capital de trabalho, mecanismo que permitiria ao governo gerenciar de forma mais eficiente estoques e aquisições de peças.
O relatório também questiona a forma como o programa tem usado incentivos contratuais para melhorar o desempenho da sustentação. Segundo o GAO, o JPO pagou taxas de incentivo a contratados mesmo quando os resultados obtidos não estavam alinhados às necessidades das Forças Armadas. A auditoria alerta que, sem mudanças, o governo corre o risco de continuar recompensando desempenhos que não contribuem efetivamente para atingir as metas de prontidão.
O GAO aponta ainda que, em alguns casos, os requisitos mínimos para que contratados recebessem incentivos financeiros eram inferiores às metas de prontidão exigidas pelas Forças Armadas. Isso significa que empresas poderiam receber pagamentos adicionais mesmo quando a frota continuava abaixo dos níveis considerados necessários pelos operadores.
A auditoria faz três recomendações principais ao Departamento de Defesa. A primeira é que o programa desenvolva planos formais de mitigação de riscos para o GSS Reset, incluindo riscos ligados a dados técnicos, capacidade industrial, custos e alinhamento com as necessidades das Forças Armadas. A segunda é que os futuros contratos de sustentação usem incentivos mais eficazes para alcançar os níveis de desempenho desejados. A terceira é que o Departamento de Defesa implemente sistemas e controles para registrar corretamente métricas, pagamentos e alterações contratuais ligadas a taxas de incentivo.
O Departamento de Defesa não apresentou comentários formais antes da publicação do relatório, mas indicou em comentários preliminares que concorda com as recomendações.
O relatório reforça uma preocupação recorrente no programa F-35: embora a aeronave seja considerada central para o poder aéreo dos Estados Unidos e de seus aliados, sua operação em larga escala continua limitada por custos elevados, baixa disponibilidade e uma cadeia de sustentação ainda incapaz de atender plenamente às exigências da frota.
Para o GAO, sem planos formais de mitigação de risco, melhor controle financeiro e contratos mais alinhados a resultados de prontidão, o F-35 poderá continuar entregando menos disponibilidade do que o esperado, mesmo com novos aportes bilionários destinados à sustentação.■
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