O entendimento ainda não é final e só deverá ser assinado no final da semana, mas, para já, abre a porta à reabertura do estreito de Ormuz, que tem estado praticamente encerrado desde que a guerra eclodiu no Médio Oriente no último dia de fevereiro.
A esta hora, o Brent – crude de referência para a Europa – cai 4,5% para 83,39 dólares por barril, negociando no valor mais baixo desde 11 de março deste ano, poucos dias depois de os EUA e Israel terem arrancado com uma ofensiva militar sobre o Irão que se transformou numa guerra de quase quatro meses. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – segue a desvalorizar mais de 5% para 80,59 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão afunda também 5% para 44,42 euros por megawatt.
A reabertura do estreito de Ormuz não vai, no entanto, ser imediata. A via marítima só deve ficar desimpedida na próxima sexta-feira, quando o acordo de paz for assinado entre Washington e Teerão, e, para já, tanto os analistas como os armadores e comerciantes estão a mostrar alguma cautela em relação aos próximos passos – aguardando mais detalhes para avaliar se é possível garantir a segurança das travessias marítimas.
“Ainda precisamos de perceber o que este acordo implica”, afirma Chris Weston, diretor de investigação da Pepperstone Group, à Bloomberg. “Mesmo com a abertura do estreito prevista para sexta-feira, ainda poderão existir minas [em Ormuz] e as seguradoras poderão continuar a cobrar taxas elevadas“, acrescenta. Neste momento, quase 600 navios continuam retidos no Golfo Pérsico, prontos para sair, enquanto centenas também aguardam vazios no lado exterior do golfo, de acordo com a agência de notícias financeiras.
O encerramento do estreito de Ormuz mergulhou o mundo na maior crise energética da história recente. Os preços do petróleo chegaram a ultrapassar a marca dos 120 dólares por barril – o valor mais elevado desde 2022, em plena guerra da Ucrânia – com a escalada do conflito, levando a Agência Internacional de Energia e os seus países membros a libertarem reservas estratégicas de crude. No entanto, nas últimas semanas, a matéria-prima tem vindo a aliviar, à medida que Washington e Teerão davam sinais de aproximação.