Quase 700 escolas do ensino pré-escolar e básico estiveram nesta segunda-feira encerradas ou condicionadas pela greve nacional de professores, segundo dados apurados pela plataforma cívica metaPROF, através de relatos recebidos de professores de todo o país. Já o Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (Sinape) fez saber que a greve teve uma adesão de 80%.
“Pelo menos 1035 escolas não tinham hoje educadores. Temos uma adesão de 80% à greve”, disse Francisco Clemente Pinto, secretário-geral do Sinape.
À porta do Ministério da Educação, em Lisboa, mais de 2300 educadores e professores, nas contas da Federação Nacional da Educação (Fenprof), fizeram-se ouvir. “O que nós queremos é que seja reconhecido para trabalho igual direitos iguais”, disse à Lusa a coordenadora nacional do 1.º ciclo do ensino básico da Fenprof, Cátia Domingues.
Na concentração, onde se ouviam tambores e apitos, estava o professor do 1.º ciclo, João Barros, 60 anos, que disse à Lusa que os docentes do 1.º ciclo têm, a partir dos 60 anos, uma redução de cinco horas por semana da componente lectiva (tempo de trabalho que envolve contacto directo com os alunos), enquanto a partir do 2.º ciclo os profissionais têm uma redução de oito horas semanais. “Essa é uma das reivindicações, esta equidade no tratamento dos docentes”, indicou João Barros, professor há 26 anos.
Rui Gaudêncio
A greve nacional de professores da monodocência foi convocada pela Fenprof, o STOP, o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (Spliu) e o Sinape.
Pelas 18h00, o observatório online “Greve ao Minuto” da MetaPROF dava conta que 698 escolas estiveram fechadas ou condicionadas, a grande maioria no litoral.
Os professores concentraram-se ainda em frente ao Palácio de Belém e uma comitiva do Sinape foi recebida por um assessor do Presidente da República, a quem foi entregue um “caderno reivindicativo sobre equidade, tendo ficado agendada uma reunião com a assessoria da área da educação da Presidência para Julho”, adiantou Francisco Clemente Pinto.
Os professores do pré-escolar e 1.º ciclo exigem a valorização da monodocência, pedindo a redução de horário para 22 tempos lectivos semanais, tal como acontece noutros ciclos de ensino. A redução lectiva por idade, em igualdade com docentes de outros grupos de recrutamento, a redução lectiva por desempenho de cargos e a atribuição da responsabilidade assistencial a outros profissionais de educação são outras das reivindicações destes professores.
Em frente ao ministério, em Lisboa, Cristina Assunção, 51 anos, professora de uma turma do 3.º ano, disse à Lusa que trabalha mais horas do que os outros professores a partir do 2.º ciclo e que há falta de docentes, indicando que normalmente há um professor para 26 alunos. “Temos poucas pessoas a trabalhar connosco e precisamos mesmo de mais professores.”
Segundo um comunicado da Fenprof, estas acções realizam-se hoje porque enquanto os restantes níveis de ensino terminam as suas actividades lectivas, os educadores de infância e os professores do 1.º ciclo permanecem em funções lectivas durante mais 15 dias, uma realidade que mostra a “desigualdade persistente no tratamento dos docentes da monodocência”.