As bolsas de Nova Iorque pintaram-se de verde à boleia de um novo “rally”, impulsionado pelo anúncio há muito esperado: os EUA e o Irão assinaram um memorando de entendimento de forma digital este domingo, 14 de junho. O acordo, que deverá ser oficialmente assinado esta sexta-feira em Genebra, na Suíça, prevê a reabertura do estreito de Ormuz no mesmo dia. Aliás, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse, na cimeira dos G7, que há já navios a atravessar este canal marítimo.
O acordo prevê ainda 60 dias de negociações entre as duas partes para discutir o programa nuclear de Teerão e quem irá, de facto, controlar o estreito, cuja travessia deverá começar a ter um custo fixo. Ainda há pormenores por esclarecer, mas tudo indica que será de vez que Washington e Teerão dão o aperto de mão. Há, no entanto, ainda a hipótese de serem retomados os ataques caso não se chegue a acordo, garantiu Trump.
Neste contexto, Wall Street aplaudiu: o índice de referência S&P 500 subiu 1,61% para 7.551,18 pontos, registando a melhor sessão desde abril. Já o industrial Dow Jones bateu um novo recorde nos 51.945,89 pontos, tendo terminado a sessão com ganhos de 0,91% para 51.671,03 pontos. O tecnológico Nasdaq Composite foi, no entanto, o que mais valorizou, disparando 3,07% para 26.683,94 pontos.
Destaque ainda para o Nasdaq 100, que disparou mais de 3% para 30.543,92 pontos, com o otimismo em torno do acordo mas também com a inteligência artificial, que continua a marcar pontos.
“O acordo entre os EUA e o Irão constitui um importante avanço e um fator positivo para os mercados, uma vez que o vaivém nas negociações apenas causaram mais incerteza e volatilidade”, afirmou à Bloomberg Michael Landsberg, da Landsberg Bennett Private Wealth Management.
“A volatilidade poderá persistir no curto prazo, à medida que os mercados avaliam a implementação e a durabilidade do acordo, mas mantemos a nossa opinião de que o crescimento resiliente e os lucros robustos deverão continuar a impulsionar as ações para subidas”, afirmou Ulrike Hoffmann-Burchardi, da UBS.
A subida das ações foi acompanhada de uma descida abrupta dos preços do petróleo, com o WTI e o Brent a negociarem perto dos 82 dólares por barril, mais perto dos níveis pré-guerra. A descida levou também a um aliviar das preocupações dos especialistas quanto a um escalar da inflação, numa semana que ficará também marcada pela reunião da Reserva Federal, que deverá manter, para já, as taxas de juro em níveis restritivos.
A reunião desta semana será ainda uma oportunidade para avaliar como o novo presidente, Kevin Warsh, poderá definir a sua agenda de longo prazo.
Entre os principais movimentos de mercado, a SpaceX disparou 19,6% para 192,5 dólares por ação, prolongando os ganhos na sua segunda sessão de negociação, após uma estreia em bolsa que a catapultou desde logo para o ranking das empresas cotadas mais valiosas do mundo.
Também a Nvidia escalou 3,54% para 212,45 dólares por título, já que poderá angariar 25 mil milhões de dólares com uma venda de obrigações, que registou uma procura três vezes superior.