A Suíça rejeitou domingo em referendo a proposta de limitar a população a 10 milhões de pessoas, depois dos alertas das associações empresariais sobre os riscos económicos da medida com a possível falta de mão de obra no país.


Segundo o Governo helvético, 54% dos eleitores votaram contra a iniciativa, enquanto 46% se mostraram favoráveis.


O referendo encerrou meses de uma campanha intensa, durante a qual grupos de extrema-direita argumentaram que o rápido crescimento demográfico está a sobrecarregar os recursos e a provocar a sobrelotação do país.


A aprovação do limite teria representado um endurecimento sem precedentes nas políticas de controlo da imigração entre as economias avançadas. O resultado é visto com alívio pelo tecido empresarial, depois de várias empresas, como a Nestlé, Roche ou UBS, terem alertado que a fixação de um limite máximo de residentes representaria um menor acesso a mão de obra estrangeira qualificada e afastaria o investimento.


Os defensores da proposta, liderados pelo Partido Popular Suíço (SVP), centraram a campanha na sustentabilidade, apresentando a imigração como uma pressão sobre os recursos naturais do país. O argumento de que o limite populacional seria a solução para travar as rendas elevadas, os transportes congestionados e a construção excessiva ainda teve, no entanto, o apoio de 46% dos eleitores.


Além dos avisos das grandes empresas suíças, muitos economistas alertaram para o impacto que a proposta poderia ter sobre o crescimento e a prosperidade do país. Um estudo do Governo estimou que, se a medida tivesse sido aprovada, o PIB suíço poderia ser cerca de 12% inferior no final do século.


A Economiesuisse, principal associação patronal do país, saudou o resultado, sublinhando que o acesso a trabalhadores qualificados é indispensável para a competitividade das empresas helvéticas.


A rejeição da proposta evita também uma rutura com a União Europeia – o maior parceiro comercial da Suíça. Um limite populacional teria ameaçado a livre circulação de pessoas entre a Suíça e o bloco comunitário, podendo comprometer o acesso dos exportadores suíços ao mercado único europeu.


A comunidade portuguesa é a terceira maior na Suíça, com mais de 264 mil residentes permanentes, representando 10,9% dos estrangeiros e 3% da população (é apenas ultrapassada pelas comunidades italiana e alemã).