Fontes ligadas à investigação do caso de Daniel Vorcaro informam se o ex-banqueiro mudar o posicionamento e o conteúdo da delação, ela pode ser retomada.
A porta não está fechada, mas ele teria que mudar a atitude que tem tido, definida como “defensiva”.
— Ele fica tentando explicar seus crimes, como se fossem condutas aceitáveis — informa uma fonte.
Outra fonte disse que ele não cumpriu ainda o primeiro ato de um delator que é o reconhecimento dos crimes que cometeu. Vorcaro, me disse um dos investigadores, estava em “negação” sobre os crimes e seus efeitos.
A lei, segundo a explicação que eu ouvi, não estabelece prazo nem quantidade de propostas e a delação pode ser feita até mesmo após a sentença. Mas as conversas só serão reabertas se houver “mudança de posicionamento e conteúdo muito grandes”.
O que sim a lei proíbe é que a iniciativa neste momento parta da Polícia Federal ou da Procuradoria Geral da República (PGR).
— A lei estabelece a voluntariedade. Ele teria que mudar drasticamente de atitude e oferecer algo sólido. Tanto em novas informação quanto em elementos de corroboração que se tornam mais importante daqui para diante.
Mas não será fácil para Vorcaro a retomada da confiança dos investigadores e dos procuradores. Há um grande ceticismo.
— Não creio que seja possível, teria de acontecer uma mudança brusca.
Outra informação importante é que ele não ofereceu um ressarcimento adequado. Perguntando sobre os valores a devolver, Vorcaro primeiro ofereceu ativos que não são dele, mas sim do Master, ou seja, já estão com o liquidante. Depois não quis reconhecer os prejuízos.
— De RPPS ( os fundos de pensão dos funcionários) ele admitiu R$ 3,5 bi de prejuízo. E foi muito mais. Só o Rio já dá quase isso. Depois perguntado sobre o rombo do BRB, disse que o Banco de Brasília não teve prejuízo. Mais tarde, o valor de R$ 5 bilhões apareceu na conversa.
Os investigadores admitem que nesta fase pré-acordo Vorcaro não revelaria mesmo onde está o dinheiro e o quanto teria, mas da mesma forma que ele não reconhece os crimes, o banqueiro não quer admitir os rombos que espalhou.
Um outro ponto explicado por uma das fontes é que os dois fatos centrais da investigação são a gestão fraudulenta do Banco Master e em segundo lugar a relação Master- BRB.
— Existem muitos outros fatos sem ligação direta a esses dois, que é a relação com os políticos. Esses fatos, aparentemente, em algum momento parecem ser maiores que os outros dois. Mas não são centrais.
Uma das fontes ressalta ainda que, desde a primeira conversa sobre delação premiada com Vorcaro, foi deixado claro que não havia hipótese de imunidade ou de perdão. A negociação possível seria de redução de até dois terços da pena.
O ex-banqueiro teria manifestado que não queria ficar preso em regime fechado. Uma fonte explicou, no entanto, que desde 2019, quando foi aprovada a lei do pacote anticrime, não existe mais a possibilidade de discutir em delação premiada o regime de prisão. Nenhuma oferta chegou a ser feita ao ex-banqueiro, já que o material que estava sendo trazido por ele na colaboração premiada não era suficiente.
O que eu apurei também é que ele não chegou a pedir benefícios para o pai, Henrique Vorcaro. Quis saber se é possível aceitar a negociação de colaboração premiada com outros integrantes da organização criminosa, como o cunhado Fabiano Zettel. A informação que eu ouvi é que os investigadores estão abertos.
— A gente está aberto a qualquer pessoa, sempre com esse olhar de que tem que ser relevante na estrutura. Tem que revelar algo não só do que está sendo apurado, ,as ampliando o campo e tem que ter elementos de corroboração. E a depender do perfil, tem que ter contribuição para o ressarcimento, para a indenização dos prejuízos.
Sobre a possibilidade de transferência de Daniel Vorcaro de volta à prisão, um dos investigadores explicou que essa é a uma decisão do relator do caso, o ministro André Mendonça. Mas esclareceu que ele tem que ficar num estabelecimento que seja adequado ao nível de risco a que está exposto. Um desses riscos é de extorsão.
— A gente não pode colocar um ex-banqueiro dentro de um presídio em que ele passe a ser extorquido, de fato ele fica exposto a risco.