Num Mundial em que alguns dos favoritos (olá Espanha) tiveram entradas em falso, a França parecia que ia pelo mesmo caminho frente ao Senegal, mas acordou a tempo de conquistar um triunfo por 3-1, em Nova Jérsia, em jogo a contar para o Grupo I. Depois de uma primeira parte em que a selecção africana foi largamente superior, os franceses ajustaram posicionamentos e atitude e os golos apareceram na segunda parte, dois de Mbappé e um de Barcola, com Mbaye a fazer o único da selecção africana. Não se repetiu a história do Mundial 2002, em que o então estreante Senegal bateu a então favorita França.
Vinte e quatro anos depois, França e Senegal voltavam a encontrar-se num jogo de Mundial. Os estatutos e as expectativas eram iguais a 2002, os franceses como uma das melhores selecções do mundo, os africanos como uma das melhores de África, mas, em teoria, num patamar abaixo. A França com uma abundância de opções no ataque, em que os seus suplentes seriam titulares de caras em 90% dos adversários, o Senegal ainda a contar com o seu símbolo de 34 anos que joga na Arábia Saudita. Em teoria, um jogo com potencial para ser desequilibrado. Em teoria.
Olise colocou olhos na bola e Mbappé fez o que melhor sabe ??#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #frança #betano pic.twitter.com/DX5Qoe9xY6
— sport tv (@sporttvportugal) June 16, 2026
Mas, como disse Romário após um empate do Brasil com Marrocos, só quem não está atento é que poderia achar que só a França é que podia ganhar este jogo. O problema da abundância no futebol é que, quando se tenta meter os craques todos aos mesmo tempo, perdem-se outras coisas. Didier Deschamps escolheu meter na mesma equipa Mbappé, Dembélé, Olise e Doué. Quantos remates é que a França fez na primeira parte com esta gente toda de início? Um, de Dembélé, o Bola de Ouro em 2026, que não causou problema nenhum a Edouard Mendy na baliza do Senegal.
A esta grande quantidade de nada da França, os “Leões de Teranga” foram uma selecção com um plano. A ideia não era defender a todo o custo e apostar na verticalidade para aproveitar a velocidade dos seus avançados, mas guardar a bola, trabalhar a partir da defesa e evoluir a partir daí. Claro que a selecção africana espreitava sempre os erros gauleses para lançar Nicolas Jackson ou Ismaila Sarr em corrida na direcção da baliza de Mike Maignan. E foram muitos ao longo da primeira parte.
Marca Barcola e é o segundo dos franceses ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #frança #betano pic.twitter.com/zJ6wwoOJOp
— sport tv (@sporttvportugal) June 16, 2026
Depois de um jogo quase sem balizas durante os primeiros 25 minutos, o Senegal foi o primeiro a chegar perto do golo. Mbappé perdeu uma bola para Diouf, que rapidamente a distribuiu para Jackson. O avançado do Bayern Munique correu, passou pelo seu colega nos bávaros Upamecano e disparou – a bola bateu no poste primeiro e nas costas de Maignan depois, saindo pela linha final.
Nem a França acordou com a bola no seu ferro, nem o Senegal se entusiasmou demasiado com a fraqueza gaulesa. Os “bleus” não tinham uma solução para coordenar todos os avançados – Mbappé não aparecia, Dembélé parecia fora de posição a jogar numa posição mais recuada, Olise estava no flanco errado. Nada disto era problema do Senegal, que não se descaracterizava e jogava pelo seguro. E já no último minuto da compensação na primeira parte, Ismaila Sarr teve uma bola de golo no coração da área francesa, sozinho e com a baliza à mercê – o remate saiu por cima.
O empate podia ser um prémio para os africanos, mas sabia-lhes a pouco – afinal, tinham sido melhores e tinham tido as melhores oportunidades. Mas a França como que se cansou de não fazer nada na primeira parte e entrou para a segunda com outra disposição. Deschamps fez ajustes no posicionamento dos seus avançados – trocou Doué e Olise de flanco – e as brechas na estrutura senegalesa começaram a aparecer.
Mendy começou a brilhar na baliza, com duas grandes defesas, a remates de Olise e Mbappé nos primeiros minutos do segundo tempo, e o golo da França parecia inevitável. Parecia que ia acontecer após um lance aos 58’ entre Mbappé e Mané na área senegalesa em que o homem do Real Madrid caiu na área – o árbitro disse que não era nada, ouviu os conselhos do VAR, foi ver o lance ao monitor e manteve a decisão, justificando com “o atacante é que promoveu o contacto”.
O jogo prosseguiu e o empate desfez-se pouco depois. Olise, uma das revelações da temporada no Bayern, fez um espectacular passe rasteiro para o coração da área que se cruzou na perfeição com a entrada de Mbappé. O 7 da França fugiu a Koulibaly e, com um remate cruzado, fez o 1-0 para os “bleus”. Logo na resposta, o Senegal ainda meteu a bola na baliza, com um remate tremendo de Jackson – mas estava fora-de-jogo quando recebeu a bola. Mas o jogo já tinha caído para o lado francês e não iria mudar. Pouco depois, Rabiot lançou a corrida do recém-entrado Barcola e o homem do PSG fez o resto.
Que golaço de Mbaye ??#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #senegal #betano pic.twitter.com/L5apK2YOJg
— sport tv (@sporttvportugal) June 16, 2026
Mas o jogo ainda não tinha acabado. Já no tempo de compensação, o Senegal mostrou vida, com um golo de Mbaye, com um remate indefensável para Maignan. Na resposta, para que não houvesse dúvidas, Mbappé fez o 3-1, num tiraço de fora da área, um golo que significou, não só a confirmação de uma vitória, mas uma declaração de intenções para o Mundial que está ainda na infância.