A história da contracultura brasileira já foi contada sob os mais diversos aspectos, em livros e filmes — mas nunca antes pelo olhar dos filhos dos desbravadores. Delícias e agruras das crianças que — para começo de conversa — tiveram uma educação bem diferente daquela dos seus coleguinhas estão em “Nem tudo é paz e amor”, documentário de Betão Aguiar, programado para estrear na 18ª edição do In-Edit Brasil — Festival Internacional do Documentário Musical, que começa hoje, em São Paulo.
O doc tem sessões no sábado (às 20h30, no Cinesesc) e nos dias 25 (às 20h, na Cinemateca Brasileira) e 28 (às 14h, no Spcine Olido).
— Minha mãe falou que o filme devia ter um subtítulo, “os sem-sofá” — diverte-se Betão, filho de Paulinho Boca de Cantor (do grupo Novos Baianos) e de Marília Aguiar, que, por ser o caçula, não viveu tanto quanto a sua irmã, Maria Meneghini, a obsessão dos pais por abolir a mobília tradicional e sentar-se em qualquer canto. — Buchinha (a irmã) ficou dois anos e meio sem nome e vivia no sítio dos Novos Baianos, onde não tinha quarto só para ela, a comida dela era roubada… Minha mãe conta muito essa história (no livro “Caí na estrada com os Novos Baianos”).
Os primogênitos dos Novos Baianos, mais os de Caetano Veloso (Moreno Veloso), Gilberto Gil (Nara Gil), Rita Lee (Beto Lee), Rogério Duarte (Areia Duarte) e Itamar Assumpção (Anelis Assumpção) foram convocados para contar suas histórias de infância para este filme, que começou como um projeto de uma amiga de adolescência de Betão: a produtora Jasmin Pinho, falecida em 2020, ela mesma filha de hippies de Salvador.