As energias renováveis asseguraram 72,7% da eletricidade produzida em Portugal continental durante o mês de maio e foram suficientes para abastecer a totalidade do consumo nacional durante 79 horas não consecutivas, segundo o mais recente Boletim de Eletricidade Renovável da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).


Em maio, as fontes renováveis produziram 2.651 gigawatts-hora (GWh) de eletricidade, num total de 3.648 GWh gerados no sistema elétrico nacional. A energia hídrica liderou a produção, com 24% do total, seguida da eólica,  e da solar fotovoltaica, com 22,8% e 19,8%, respetivamente. A bioenergia representou 6%. No acumulado do ano, o sistema elétrico operou durante 737 horas exclusivamente com energia renovável.


Portugal mantém-se entre os países europeus com maior incorporação de energias renováveis na geração elétrica. Com uma quota de 76,3%, ocupa o terceiro lugar do ranking europeu, atrás apenas da Noruega e da Dinamarca.

Renováveis poupam mais de mil milhões em cinco meses


Entre janeiro e maio, a produção renovável evitou mais de 1,08 mil milhões de euros em custos para a economia portuguesa. Segundo a APREN, foram poupados 442 milhões de euros em importações de gás natural, 351 milhões em eletricidade comprada ao exterior e 290 milhões em licenças de emissão de CO2.


A associação destaca também o impacto das renováveis nos preços da eletricidade. Apesar de o preço médio do mercado ibérico (MIBEL) ter sido de 86,1 euros por MWh em maio, o valor médio acumulado desde o início do ano caiu para 44,5 euros por MWh, menos 27,2% do que no mesmo período de 2025.


Citada no boletim, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, defende que o país deve acelerar o investimento e remover obstáculos ao desenvolvimento de novos projetos para aproveitar todo o potencial da energia renovável.


“Os dados de maio demonstram que Portugal continua a afirmar-se como um dos países europeus com maior incorporação renovável no setor elétrico. Porém, é urgente continuarmos a investir e desbloquearmos os entraves que hoje existem”, afirma.


Os dados mostram ainda que, no final de abril, as fontes renováveis representavam 79,4% da potência instalada em Portugal continental. Na última década, essa capacidade cresceu 82,6%, refletindo o avanço da descarbonização do sistema elétrico nacional.