Uma equipa de investigadores descobriu uma via biológica até agora desconhecida que parece desempenhar um papel fundamental na forma como certos pelos desencadeiam sensações de comichão.

Num novo estudo, publicado este mês na Neuron, os cientistas identificaram, em ratos, uma nova via sensorial que liga os pelos sensíveis ao toque à vontade de coçar. Foi também descrito um tipo de pelo até então pouco estudado, os pelos velus, bem como um conjunto de neurónios sensoriais responsáveis por detetar o seu movimento e transmitir sinais de comichão ao sistema nervoso.

Segundo o SciTechDaily, os investigadores analisaram ratos com inflamação cutânea crónica, semelhante ao eczema humano. Verificaram que os animais com estes neurónios ativos apresentavam comportamento normal de coçar. Já os ratos sem esses neurónios, ou com os mesmos desativados, coçavam-se muito menos, indicando que esta via é essencial para a chamada comichão mecânica.

Embora este estudo tenha sido realizado em ratos, os seres humanos possuem os genes necessários para produzir neurónios semelhantes.

“O nosso estudo indica que os seres humanos podem ter este mesmo tipo de mecanismo para transmitir a comichão e revela também que o corpo possui um sistema específico para este tipo de sensação”, afirmou o autor principal do estudo, Bo Duan.

Os cientistas identificaram ainda proteínas envolvidas na transmissão destes sinais até à medula espinhal. Quando testadas em neurónios humanos em cultura, essas proteínas provocaram respostas semelhantes, sugerindo que este mecanismo também poderá existir em humanos.

Para revolver estudar este fenómeno, a equipa desenvolveu um novo método experimental. Estimularam suavemente os pelos dos ratos com um pequeno laço de fio e observaram as suas reações.

Posteriormente, modificaram geneticamente os neurónios para que pudessem ser ativados por luz azul. Quando estimulados dessa forma, os ratos coçavam-se como se tivessem sido tocados, confirmando o papel direto destes neurónios.

Apesar de os pelos velus cobrirem grande parte do corpo, a medula espinhal possui circuitos que filtram estes estímulos, impedindo que sensações comuns, como o roçar da roupa ou uma leve brisa, provoquem comichão constante.

Por fim, os investigadores acreditam que este sistema poderá ter evoluído como um mecanismo de defesa e que a sua descoberta poderá abrir caminho a novos tratamentos para doenças de comichão crónica.


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