O jogo de estreia do Mundial 2026 deu o mote e a tendência prossegue a bom ritmo. Com pouco mais de uma jornada decorrida na fase de grupos do torneio, que percorre México, EUA e Canadá, já foram mostrados seis cartões vermelhos, mais do que em toda a edição anterior e também do que em 2018. Um deles deu origem a um dos momentos mais arrepiantes da prova.

Esse foi o mais recente de todos. O lance ocorreu aos 53′ do jogo entre Canadá e Qatar. Assim Madibo teve uma entrada ríspida, por trás, sobre o calcanhar de Ismael Koné e, em função do apoio no relvado, o médio canadiano acabou por fracturar a perna. O momento gerou tensão entre jogadores e consternação de parte a parte – e terminou, naturalmente, com a expulsão de Madibo, que no fim do jogo foi ao balneário do adversário penitenciar-se.

Nessa altura, porém, o Qatar já estava reduzido a 10 unidades, porque a meio da primeira parte Al-Amin tinha visto também o vermelho directo por ter evitado uma clara oportunidade de golo, travando à margem da lei o avançado do Canadá. Inicialmente o árbitro apontou para a marca de penálti, mas a decisão seria revertida, com consequência disciplinar agravada (expulsão) e revisão do pontapé livre (que passou a ser batido fora da área).




Koné a abandonar o relvado de maca, lesionado, após a falta que gerou a expulsão de Madibo

O Qatar, orientado por Julen Lopetegui, acabou goleado (6-0) e, no final do jogo, o treinador espanhol trocou palavras mais acesas com Jesse Marsch, seleccionador do Canadá. Nem um, nem outro quiseram abordar o tema na conferência de imprensa de rescaldo do jogo, mas a imprensa canadiana garante que o mal-estar do técnico espanhol se deveu ao facto de o adversário ter continuado a forçar a goleada, mesmo com o Qatar reduzido a nove jogadores.

Lopetegui terá interpretado este gesto como antidesportivo, mas, em rigor, o que estava em causa era a necessidade de ganhar vantagem na diferença de golos. Isto porque o Canadá e a Suíça somam quatro pontos no Grupo B e, caso terminem a fase de grupos empatados, o número de golos será determinante para determinar quem se apura em primeiro e em segundo lugar.

Mas este embate, que teve lugar em Vancouver, não foi sequer o jogo com mais expulsões no torneio. Essa distinção está, para já, nas mãos do México-África do Sul, que deu o pontapé de saída para o Mundial com três cartões vermelhos – um recorde no jogo de abertura de um Campeonato do Mundo. Sithole (50′) e Zwane (84′) deixaram os sul-africanos duplamente inferiorizados, antes de, aos 90+1′, o mexicano César Montes ter sido expulso também.

Dois jogos, cinco cartões vermelhos. O sexto saiu do bolso do português João Pinheiro, que se estreou no torneio no jogo entre Suíça e Bósnia, da 2.ª ronda, acabando por expulsar o central Muharemovic, aos 80′, por uma falta cometida sobre Embolo, que seguia directamente para baliza, já à entrada da grande área.

Contas feitas, são seis expulsões em 28 jogos no Mundial 2026, o que perfaz uma média de 0,21 cartões vermelhos por jogo, bem acima dos Mundiais de 2022 (quatro, 0,06 de média) e de 2018 (quatro, 0,06 também). No capítulo disciplinar, a edição mais atribulada foi a de 2006, com 28 vermelhos (0,44 de média), enquanto as restantes provas deste século terminaram ambas com 17 (média de 0,27).