Última atualização gratuita tenta corrigir problemas narrativos, oferece um desfecho mais completo para Naoe e Yasuke e aproxima o jogo de Black Flag Resynced
Depois de mais de um ano acompanhando Naoe e Yasuke por castelos, vilarejos e conspirações no Japão do período Sengoku, a Ubisoft reconheceu que parte da história de Assassin’s Creed Shadows não funcionou tão bem quanto a equipe esperava. A admissão veio junto da última grande atualização de conteúdo do RPG, que adicionou a missão gratuita Black Tides e encerrou oficialmente a jornada dos protagonistas.
É importante esclarecer que a Ubisoft não declarou que todos os jogadores odiaram a campanha, como se uma assembleia mundial de Assassinos tivesse votado pela expulsão do roteiro da irmandade. O diretor associado Simon Lemay-Comtois afirmou que alguns elementos narrativos do jogo principal não tiveram a recepção esperada pela comunidade.
Segundo o desenvolvedor, esse retorno foi considerado durante a produção do capítulo final, criado para oferecer uma conclusão mais satisfatória aos dois protagonistas.
“Reconhecemos alguns elementos da história do jogo principal com os quais a comunidade não se identificou tanto quanto esperávamos”, explicou Lemay-Comtois. “Estamos usando esses elementos e esse feedback da melhor maneira possível para abordá-los neste capítulo final.”
História de Shadows deixou uma sensação de campanha incompleta
Assassin’s Creed Shadows apresentou uma proposta bastante interessante ao colocar dois personagens com estilos completamente diferentes no centro da campanha.
Naoe representa a fantasia clássica da franquia: uma shinobi ágil, capaz de usar sombras, telhados e ferramentas para eliminar adversários sem ser percebida. Yasuke, por sua vez, funciona como um guerreiro poderoso, preparado para atravessar portas, armaduras e qualquer ilusão de sutileza que ainda estivesse respirando nas proximidades.
O problema não estava necessariamente nos protagonistas, mas na maneira como suas histórias foram organizadas.
Boa parte da campanha foi estruturada em torno da perseguição aos integrantes do Shinbakufu. Como muitos desses alvos podiam ser investigados em ordens diferentes, suas tramas acabavam funcionando como capítulos relativamente isolados. Essa liberdade ajudava na exploração, mas prejudicava o ritmo e a sensação de progressão narrativa.
Algumas análises publicadas durante o lançamento já apontavam que a estrutura dividida entre várias investigações dificultava a construção de uma narrativa realmente coesa. Também houve críticas ao encerramento aberto, que parecia menos uma conclusão e mais um aviso educado de que o pergaminho ainda não havia acabado.
Outro ponto frequentemente mencionado pelos fãs foi a pouca presença do conflito entre Assassinos e Templários, elemento central da mitologia da série. Embora Shadows tivesse conexões com a história maior da franquia, elas permaneciam discretas durante grande parte da aventura.
Para um jogo chamado Assassin’s Creed, alguns jogadores esperavam encontrar mais Assassinos, mais Templários e menos criminosos locais ocupando castelos como se estivessem administrando franquias feudais de acampamentos inimigos.
Black Tides funciona como o verdadeiro encerramento
A resposta da Ubisoft chegou por meio de Black Tides, missão gratuita incluída na atualização 1.1.11. O conteúdo oferece aproximadamente duas horas de história e foi desenvolvido para encerrar de maneira mais clara as jornadas de Naoe e Yasuke.
Na aventura, a dupla enfrenta dois membros de alto escalão dos Templários conhecidos como Black Cross. A missão acrescenta justamente o tipo de conteúdo que muitos fãs sentiram falta na campanha principal: referências mais profundas à Ordem dos Templários, conexões com a mitologia de Assassin’s Creed e respostas para questões deixadas pelo jogo.
“Black Tides é nossa missão final da história de Naoe e Yasuke”, afirmou Lemay-Comtois. “É assim que abrimos completamente essa porta e adicionamos mais conteúdo focado nos Templários para concluir a saga.”
Para liberar Black Tides, o jogador precisa terminar a campanha principal e concluir as missões adicionais A Critical Encounter e A Puzzlement. Não é necessário possuir ou finalizar a expansão paga Claws of Awaji, embora determinadas ações anteriores possam alterar pequenos detalhes da missão.
A atualização também estabelece uma ponte narrativa com Assassin’s Creed Black Flag Resynced, nova versão da aventura de Edward Kenway. Como o pirata viveu em outro período histórico, ele evidentemente não aparece caminhando pelo Japão para pedir saquê a Yasuke, ainda bem, porque até o Animus possui limites para fan service temporal.
Em vez disso, as ligações são feitas por meio da mitologia da franquia, de referências históricas e da narrativa contemporânea conectada pelo Animus.
Jogadores elogiam o novo final, mas nem tudo virou ouro Isu
As primeiras reações da comunidade foram predominantemente positivas em relação à história de Black Tides. Alguns jogadores classificaram a missão como o “verdadeiro final” de Assassin’s Creed Shadows, destacando as revelações sobre a mitologia dos Isu, a presença mais forte dos Templários e as conexões com outros títulos da série.
Parte dos fãs também considerou que esse conteúdo deveria ter feito parte do jogo desde o lançamento, especialmente por resolver questões que ficaram abertas durante a campanha principal.
Isso não significa que a missão tenha escapado completamente das críticas. Alguns jogadores reclamaram da dificuldade e do comportamento dos chefes, que podem bloquear ou evitar diversas habilidades dos protagonistas. Outros avaliaram que o capítulo cumpre sua função, mas ainda parece uma correção tardia para problemas estruturais que não poderiam ser inteiramente resolvidos com duas horas adicionais.
Ainda assim, a recepção sugere que a Ubisoft conseguiu entregar um encerramento mais próximo daquilo que muitos fãs esperavam.
Atualização também adiciona desafios de endgame
Black Tides é apenas uma parte do último pacote de conteúdo. A atualização também introduziu Domains, uma atividade de endgame formada por cinco arenas com objetivos e modificadores variáveis.
Os desafios foram desenvolvidos para obrigar os jogadores a experimentar equipamentos e construções diferentes. Estratégias excessivamente poderosas podem ser anuladas pelos modificadores, tornando necessário observar as condições de cada arena antes de avançar.
Segundo a Ubisoft, Domains inclui recompensas exclusivas que não podem ser compradas na loja digital nem obtidas pelo Animus Exchange. Em outras palavras, é preciso conquistá-las jogando — um antigo ritual dos videogames que alguns estudiosos acreditavam estar extinto.
O pacote ainda acrescentou a terceira e última fenda da era moderna, chamada Horizon, além de projetos compartilhados entre Shadows e Black Flag Resynced. A Ubisoft também implementou correções de bugs e outras melhorias gerais no jogo.
O fim de Naoe e Yasuke, pelo menos por enquanto
Embora Black Tides represente o encerramento oficial da história de Naoe e Yasuke, Lemay-Comtois acredita que os dois personagens e o Japão ainda possuem potencial para novas aventuras.
Por enquanto, porém, a Ubisoft considera essa jornada concluída. A equipe aplicará parte das lições aprendidas com Shadows em futuros projetos, incluindo mudanças no parkour que também influenciaram o desenvolvimento de Black Flag Resynced.
No fim das contas, Assassin’s Creed Shadows termina sua caminhada de maneira melhor do que começou narrativamente. A Ubisoft ouviu as críticas, reconheceu que determinadas escolhas não produziram o impacto desejado e lançou gratuitamente uma missão criada para amarrar parte das pontas soltas.
Seria preferível que o jogo tivesse chegado ao mercado com um desfecho plenamente satisfatório? Naturalmente. Mas, em uma indústria na qual algumas empresas respondem às críticas fechando os portões do castelo e fingindo que ninguém está gritando do lado de fora, admitir o problema e tentar corrigi-lo já representa um pequeno avanço na sincronização.
Assassin’s Creed Shadows está disponível para PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2 e Xbox Series X|S.