Com olhos atentos e curiosos, crianças e adultos observam as habilidosas mãos da síria Shiraz Aref Shekho, que ensina a preparar balaklavas deliciosas e aromáticas. Os mesmos olhares dirigem-se ao iraquiano Mohammed, que mostra como fazer um autêntico pão sírio, o khubz. “A água não pode estar demasiado quente, porque mata o fermento, mas também não pode estar fria, porque a massa fica muito elástica”, explica o profissional, que está em Portugal há dez anos, país que hoje considera o seu lar.
Os ensinamentos dos dois cozinheiros fizeram parte de um workshop realizado no restaurante Mezze, em Lisboa, para assinalar o Dia Mundial do Refugiado, em parceria com a associação Pão a Pão. O valor angariado com as inscrições na iniciativa, promovida pela Fundação ACNUR Portugal, destinou-se a apoiar pessoas que, como Shiraz e Mohammed, precisam fugir de guerras nos seus países de origem para sobreviver.
Ao longo do dia, crianças e adultos aprenderam mais do que a preparar húmus ou babaganoush (incluindo o segredo para deixar a beringela no ponto certo): aprenderam que existem pessoas com características físicas, tons de pele e sotaques diferentes, provenientes de outras culturas.
Foi precisamente essa aprendizagem que motivou Sofia Neves e João Ribeiro a levarem os filhos, de seis e oito anos, ao workshop. “É para que tenham uma visão do mundo desde pequenos, para perceberem que existem pessoas diferentes, com realidades diferentes, que passam por dificuldades“, afirma João Ribeiro, economista, ao DN.
Sofia Neves sublinha igualmente a importância de ensinar os filhos a conhecer outras culturas e, dessa forma, a não terem receio do outro. “É uma tentativa nossa de tirar os nossos filhos um pouco da bolha em que vivem, de lhes dar a conhecer outras pessoas e de os ajudar a serem empáticos, sem preconceitos nem xenofobia“, explica a mãe das crianças, também economista. O casal soube da existência do workshop por ser doador regular da Fundação ACNUR Portugal.