Uma investigação da Polícia Judiciária (PJ) permitiu desmantelar um grupo criminoso que, durante mais de um ano, escolheu vítimas através de anúncios de venda de automóveis no OLX e realizou assaltos violentos a residências na Grande Lisboa. A operação, denominada “Balaclava”, levou à detenção de vários suspeitos e revelou um esquema sofisticado que envolvia falsas buscas policiais.

Imagem PJ a investigar assaltos online no OLX

Assaltantes faziam-se passar por inspetores da Judiciária

Segundo a investigação, os criminosos monitorizavam anúncios de venda de carros, no OLX, sobretudo veículos de gama alta. Depois de identificarem os vendedores e as respetivas moradas, aguardavam que o negócio fosse concluído, convencidos de que as vítimas guardariam grandes quantias de dinheiro em casa.

Para entrar nas habitações, utilizavam um método cuidadosamente preparado. Apresentavam-se encapuzados, exibiam crachás, coletes com a inscrição “Polícia” e, em alguns casos, falsos mandados de busca. As vítimas acreditavam estar perante uma operação policial legítima, abrindo a porta aos assaltantes.

Nove assaltos em pouco mais de um ano

O primeiro ataque conhecido ocorreu em maio de 2024. O alvo era um empresário que tinha colocado um automóvel à venda por 31 mil euros. Os assaltantes acreditavam que o dinheiro estaria guardado em casa, mas acabaram por levar apenas cerca de 100 euros.

Apesar desse insucesso inicial, o grupo continuou a atuar. Em assaltos posteriores conseguiu encontrar dezenas de milhares de euros, havendo casos em que foram roubados cerca de 50 mil e 60 mil euros numa única residência. Ao todo, terão sido realizados nove ataques até ao final de 2025.

Ilustração de carros d eluxo à venda no OLX

Grupo era altamente organizado

A PJ descreve a organização como um grupo estável, estruturado e profissionalizado. Os suspeitos atuavam armados, recorriam a ameaças, agressões físicas e chegavam a utilizar abraçadeiras para imobilizar as vítimas durante os roubos. O objetivo era apoderar-se de dinheiro, ouro, joias e outros bens de elevado valor.

A operação policial envolveu dezenas de buscas domiciliárias e a apreensão de dinheiro, ouro, armas, munições e estupefacientes. Os suspeitos enfrentam acusações relacionadas com associação criminosa, roubo qualificado, sequestro agravado, usurpação de funções e posse de armas proibidas.

Alerta para quem vende online

O caso volta a chamar a atenção para os riscos associados à divulgação de informações pessoais em plataformas de compra e venda.

Embora a maioria das transações decorra sem problemas, as autoridades aconselham os vendedores a evitarem revelar moradas ou detalhes financeiros desnecessários e a privilegiarem locais públicos para encontros relacionados com negócios realizados através da Internet.