O modelo original, lançado em 2024, conseguia voar cerca de 1.000 quilómetros através de navegação por satélite e sistema inercial. A nova adaptação traz várias melhorias
A Ucrânia utilizou uma nova versão do drone suicida FP-1 para atingir uma refinaria de petróleo em Tyumen, no centro da Rússia, a mais de 2.000 quilómetros de distância. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o ataque foi “eficaz” e teve como alvo uma infraestrutura com capacidade para processar até nove milhões de toneladas de petróleo bruto por ano.
Mais do que os danos provocados, o destaque vai para o alcance do aparelho, que marca a estreia em combate de uma versão melhorada capaz de atingir alvos até 3.000 quilómetros.
De acordo com Zelensky, a operação foi realizada com os novos drones FP desenvolvidos pela empresa Fire Point. O chefe de Estado agradeceu publicamente aos engenheiros responsáveis pelo projeto, sublinhando a evolução tecnológica do equipamento.
“Os nossos ataques de médio alcance contra alvos militares no território temporariamente ocupado da Ucrânia também continuam a decorrer e estão a ter um impacto real na logística militar russa”, referiu ainda.
Our long-range sanctions have reached Russia’s Tyumen region – another oil-processing facility, over 2,000 kilometers from our state border. An effective strike.
The job was carried out by the new, upgraded FP drones that can now reach targets at distances of 3,000 kilometers.… pic.twitter.com/jmsYjaD1uH
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) June 20, 2026
Cada unidade deste aparelho custa cerca de 50 mil dólares e foi concebida para ser produzida em massa, sendo possível criar centenas de exemplares por dia.
Até ao momento, apenas o míssil de cruzeiro FP-5 e alguns aviões ligeiros adaptados para missões suicidas conseguiam alcançar distâncias superiores a 2.000 quilómetros. No entanto, essas plataformas são muito mais dispendiosas e raras, podendo atingir um custo de cerca de 500 mil dólares por unidade. O FP-1 surge assim como uma alternativa significativamente mais barata, mantendo capacidades de longo alcance.
O modelo original, lançado em 2024, conseguia voar cerca de 1.000 quilómetros através de navegação por satélite e sistema inercial, mas transportava uma ogiva de apenas 60 quilos, considerada insuficiente para provocar danos significativos em alvos fortificados, como refinarias. A empresa optou inicialmente por privilegiar a autonomia, sacrificando o peso da carga explosiva.
A evolução do projeto passou pelo desenvolvimento do FP-2, com uma ogiva de 100 quilos, embora limitada a um alcance de apenas 200 quilómetros. Mais recentemente, a Fire Point redesenhou ambos os modelos, instalando depósitos de combustível nas asas, libertando espaço na fuselagem para cargas explosivas mais pesadas.
Сили оборони атакували Тюмєнський НПЗ, розташований за 2000 км від України.
Місцеві мешканці повідомляють про щонайменше два вибухи. Перед цим у місті було оголошено дронову безпеку, а сам завод екстрено скидав тиск в системі.
Проєктна потужність переробки підприємства… pic.twitter.com/WEy0jO9Puq
— Serhii Sternenko (@sternenko) June 20, 2026
A nova geração do FP-1 transporta uma ogiva de 105 quilos, enquanto o FP-2 chega aos 158 quilos e ambos passaram a integrar um sistema de navegação por correspondência do relevo, concebido para resistir a interferências eletrónicas.