Monika Silva Koniuszek, uma denunciante de origem polaca que investigava alegados negócios da família do Presidente equatoriano, Daniel Noboa, foi encontrada morta na sua casa, numa cidade costeira da província de Santa Elena, com uma corda à volta do pescoço. Embora o Governo tenha inicialmente apontado para a hipótese de suicídio, a autópsia concluiu que a morte da ativista foi provocada por um golpe na cabeça, seguido de estrangulamento. O caso, segundo o The Guardian, levou ativistas e organizações da sociedade civil a exigir esclarecimentos sobre as circunstâncias a sua morte, estando muitos convencidos de que Koniuszek foi silenciada.
A denunciante, mãe solteira de duas filhas, de quatro e nove anos, foi encontrada a 8 de junho. Um dia depois, o ministro do Interior do Equador afirmou que a causa de morte mais provável era por suícidio. “As provas necessárias para chegar a esta conclusão foram encontradas no local”, disse John Reimbeg à imprensa local, citado pelo jornal britânico.
No entanto, na passada sexta-feira, os resultados da autópsia vieram contrariar a versão inicial das autoridades, revelando que a morte foi causada por um golpe na cabeça seguido de estrangulamento. “Com base nos relatórios periciais, estamos certos de que se tratou de uma morte violenta; portanto, a alegação de que foi suicídio cai por terra”, afirmou Lita Martínez, advogada e diretora do Centro Equatoriano de Promoção e Ação da Mulher.
Segundo ativistas e amigos próximos, Koniuszek tinha começado a investigar denúncias de que várias toneladas de cocaína tinham sido apreendidas em contentores de bananas da Noboa Trading, uma das principais empresas exportadoras do setor agrícola equatoriano. A empresa integra a Corporação Noboa, o conglomerado empresarial controlado pela família do Presidente Daniel Noboa, conhecido pela produção e exportação de fruta sob a marca Bonita.
Pouco antes da sua morte, Koniuszek terá dito a amigos que entregara um dossier com denúncias à embaixada dos EUA em Quito, capital do Equador, e que altos funcionários do sistema judicial equatoriano estariam a obstruir as investigações que conduzia.
Ao mesmo tempo que investigava alegações relacionadas com os negócios da família do chefe de Estado equatoriano, Monika Silva Koniuszek analisava denúncias de que figuras políticas influentes na província de Santa Elena estariam envolvidas numa vasta rede de comércio, apropriação ou ocupação ilegal de propriedades.
Amigos próximos afirmam que a denunciante estava a ser alvo de assédio judicial e de ameaças de morte explícitas, alegadamente relacionadas com as mesmas redes criminosas suspeitas de terem assassinado o jornalista local e ativista Robinson del Pezo, em novembro de 2025, de acordo com o The Guardian. “Nenhum de nós acredita que ela se tenha suicidado”, afirmou a sua amiga Joanna Cuper, em declarações à emissora polaca TVP Info, acrescentando que a ativista dizia estar a ser “seguida e vigiada”.
“Ela disse que os cartéis lhe tinham colocado um preço na cabeça. Há três anos, o seu então marido levou os filhos para o Brasil porque ela estava a receber ameaças de morte, assim como as suas filhas”, relatou Cuper, citada pelo jornal britânico.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da Polónia confirmou, na semana passada, ter solicitado assistência jurídica mútua às autoridades equatorianas responsáveis pela investigação da morte de Silva Koniuszek, manifestando ainda a intenção de acompanhar de perto o processo.
Koniuszek, segundo o The Guardian, passou a última década a denunciar crimes ambientais e casos de corrupção. “Não é preciso ter nascido no Equador para o amar e defender o que é certo”, defendia. Em declarações a meios de comunicação, alguns dos seus amigos descreveram-na como a “pessoa mais corajosa” que alguma vez conheceram.