• Por 15 anos, imunizante contra a Bundibugyo não avançou para testes em humanos • GTPI contesta tentativas de prolongamento de patentes sobre medicamentos contra HIV • E MAIS: violência armada; cocaína; licença-paternidade; febre amarela •

Jennifer Reynolds/POOL

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Uma vacina com alto potencial contra a cepa Bundibugyo do ebola, desenvolvida com sucesso em macacos em 2011 pelo virologista Thomas Geisbert, ficou mais de 15 anos sem avançar para testes em humanos. Com surtos dessa variante sendo raros e afetando principalmente países de baixa renda, o interesse comercial foi baixo. Empresas farmacêuticas não enxergaram perspectiva de retorno financeiro suficiente para investir nas etapas clínicas do desenvolvimento, é o que mostra a reportagem da revista Wired.

Agora, diante de um novo surto da doença, justamente causado por essa variante, a vacina baseada na tecnologia rVSV volta a despertar interesse. Com apoio de organizações sem fins lucrativos e instituições de pesquisa, o projeto finalmente começará a ser preparado para testes em humanos.

O caso expõe uma contradição central: doenças que representam alto risco para populações vulneráveis permanecem negligenciadas por décadas quando não oferecem perspectivas de lucro. O tema é abordado pelo Outra Saúde em texto recente, em que especialistas apontam a urgência em pôr fim à conversão da saúde em mercadoria.

Farmacêutica busca prolongar patente de remédio para HIV

O Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI/Rebrip) apresentou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um subsídio técnico contestando um pedido de patente da farmacêutica ViiV Healthcare sobre formulações com dezecapavir e suricapavir, medicamentos de longa duração em desenvolvimento para prevenção e tratamento do HIV. Este pedido de patente não atende aos critérios legais de novidade e atividade inventiva previstos na Lei de Propriedade Industrial, já que as formulações reivindicadas teriam sido descritas anteriormente ou seriam combinações consideradas óbvias.

A preocupação do GTPI é que a concessão da patente contribua para o chamado evergreening, estratégia utilizada por farmacêuticas para a extensão da exclusividade por meio de múltiplos pedidos de patente sobre uma mesma tecnologia. Levantamento da entidade identificou seis pedidos relacionados a esses medicamentos no Brasil, que, se aprovados, podem prolongar o monopólio até pelo menos 2042, atrasando a entrada de versões mais acessíveis e impactando o futuro acesso da população a novas opções de prevenção e tratamento do HIV. A movimentação é feita em conjunto com organizações da sociedade civil e movimentos de luta contra a aids e busca evitar a concessão de um monopólio considerado indevido sobre tecnologias. 

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• Violência armada

A Fiocruz lançará nesta quinta-feira (25), um observatório para monitorar os impactos da violência armada na saúde de moradores de favelas e periferias do Rio de Janeiro. A plataforma reunirá pesquisas e indicadores sobre os efeitos dos confrontos na saúde física e mental da população. Saiba mais sobre a iniciativa

• Internações por cocaína 

As internações por dependência de cocaína no SUS cresceram 19,8% nos últimos cinco anos, segundo dados da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. A pesquisa mostra que o aumento não indica necessariamente mais usuários da droga, mas um agravamento dos padrões de consumo. Entenda os motivos

• Licença-paternidade

Estudos recentes reforçam a importância da licença paternidade: homens que não acessam o direito ou dependem de afastamentos não-remunerados apresentam maior risco de desenvolver ansiedade e depressão. A insegurança financeira aparece como um dos principais fatores associados ao problema. Confira mais informações

• Febre amarela, 2017

Novo estudo mostrou que o surto de febre amarela silvestre que atingiu a Região Metropolitana de São Paulo em 2017 teve um potencial de disseminação extremamente elevado. O estudo reforça que campanhas de vacinação precisam ocorrer de forma preventiva. Saiba mais

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