Sylvie Yasmina casou-se em 2003 e viveu na Austrália até 2014, ano em que se mudou para o Paquistão, com o marido e os dois filhos mais velhos. Desde então, a cidadã francesa terá permanecido sem qualquer contacto com o exterior, alegadamente mantida em cativeiro pelo marido durante cerca de 12 anos. Na segunda-feira, a polícia local anunciou o resgate de Sylvie e dos seus agora cinco filhos, bem como a detenção do homem, que foi acusado de violência doméstica e tortura.

Um dos filhos do casal, segundo a BBC, conseguiu fugir para apresentar queixa na esquadra da polícia de Bara, uma cidade na província montanhosa de Khyber Pakhtunkhwa. Sylvie Yasmina e os filhos foram encontrados num quarto “extremamente deteriorado”, com hematomas no corpo.

“De acordo com a mulher, ela não tinha permissão para ver ninguém, os seus dois filhos mais velhos faltavam às aulas, enquanto os três filhos mais novos nasceram no Paquistão e nunca foram matriculados na escola”, relatou um funcionário da polícia à BBC Urdu.

Em declarações prestadas às autoridades, a cidadã francesa afirmou que o marido agredia a sua família física e psicologicamente e descreveu-o como um homem “muito violento“.

“Fomos privados da nossa liberdade, o meu marido não cuidou de nós como devia, como marido e pai dos meus filhos. Bate-nos e pressiona-nos diariamente”, escreveu no depoimento, citado pela emissora. “Senti que o meu futuro já estava arruinado, e o futuro das crianças também estaria”, admitiu.

Entretanto, Sylvie Yasmina e os filhos foram levados para um abrigo para mulheres e planeiam regressar à França. Embora as autoridades não tenham identificado o seu marido, um cidadão paquistanês, dizem que o homem “residia ilegalmente” na Austrália, país onde o casal se conheceu.