Ásia volta a afundar com pressão das tecnológicas. Kospi tombou mais de 6%
Os principais índices asiáticos encerraram a última sessão da semana com fortes perdas, acompanhando as quedas do lado de lá do Atlântico por Wall Street, depois de uma forte desvalorização da Apple em bolsa e de notícias de que a OpenAI poderá vir a adiar a sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) terem desencadeado mais uma onda de vendas no setor tecnológico, semelhante àquela assistida no arranque desta semana. Os futuros apontam para uma abertura negativa das praças europeias.
Por Taiwan, o TWSE perdeu 3,64%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,77%, enquanto o Shanghai Composite desvalorizou 1,81%. Na Coreia do Sul, o Kospi tombou 6,37%. Já quanto ao Japão, o Nikkei afundou 4,15% e o Topix cedeu 1,32%.
O mercado sul-coreano foi afetado por uma segunda suspensão das negociações esta semana, depois de o Kospi ter chegado a cair 9%, antes de recuperar parte das perdas.
O “benchmark” sul-coreano tem sido impactado – tanto positiva como negativamente – este ano pelas duas gigantes dos chips que, juntas, pesam quase 60% do índice – a Samsung (-5,30%) e a Sk Hynix (-8,36%). A volatilidade tem sido tal que alguns analistas estão a comparar as oscilações intradiárias do mercado bolsista do país ao frenesim das “meme stocks”.
O Grupo Samsung prepara-se para revelar um pacote de gastos de 1.000 biliões de won (cerca de 569,7 mil milhões de euros ao câmbio atual) para a próxima década, segundo o jornal Maeil Business Newspaper, naquele que seria o maior plano deste tipo na história do país.
“A volatilidade sem uma direção clara pode ser dolorosa para a negociação”, disse à Bloomberg Daniel Tan, da Grasshopper Asset Management. “Estamos a observar onde é que ocorre esta consolidação, antes de eventualmente reforçarmos as posições em títulos tecnológicos”, acrescentou, lembrado que “os investidores têm apostado num futuro promissor e sem limites para os temas relacionados com a inteligência artificial, pelo que qualquer revés tende sempre a gerar uma reação desproporcionada, à medida que as posições em ações são ajustadas”.
As ações da Apple caíram mais de 6% nos EUA depois de a empresa ter aumentado os preços dos Macs, iPads e dispositivos domésticos. As ações tecnológicas asiáticas, incluindo as dos fornecedores da fabricante do iPhone, foram afetadas pela preocupação de que o aumento dos preços dos componentes venha a atenuar a procura por dispositivos e, eventualmente, abrandar a recuperação dos chips de memória que tem impulsionado grande parte do comércio relacionado com a IA.
Em Tóquio, as ações do SoftBank Group afundaram mais de 12% depois de o New York Times ter noticiado que a OpenAI estará inclinada para adiar a IPO até 2027, atrasando os potenciais retornos para o investidor japonês.
Ñesta medida, a descida dos preços do petróleo pouco contribuiu para melhorar o sentimento dos investidores no mercado acionista.
Em junho, o índice global MSCI All Country World registou uma queda de cerca de 2,5%, caminhando para a sua primeira descida mensal neste trimestre.