Ulrich Siegmund / Facebook

Ulrich Siegmund, candidato da Alternativa para a Alemanha (AfD) ao governo estadual da Saxónia-Anhalt, com militantes da juventude do partido

Uma vitória da AfD na Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, pode transformar uma força até agora isolada num partido com poder executivo e influência direta sobre a política alemã. Ulrich Siegmund, de 35 anos, antigo membro da CDU, é apontado como provável primeiro-ministro regional.

A Alternativa para a Alemanha (AfD) está em posição de poder vir a liderar, pela primeira vez, um governo regional na Alemanha, caso confirme nas eleições de setembro a vantagem que as sondagens lhe atribuem na Saxónia-Anhalt, no leste do país, onde o partido de extrema-direita aparece de forma consistente com 40% ou mais das intenções de voto.

Segundo o Politico, este cenário deixou de ser uma hipótese teórica. Com os partidos tradicionais em dificuldades e a coligação federal liderada pelo chanceler Friedrich Merz sob pressão, a AfD poderá obter votos suficientes para governar sozinha a região, com pouco mais de 2 milhões de habitantes.

Isso dependerá também do desempenho dos partidos mais pequenos, como os Verdes ou o Partido Democrático Liberal, que precisam de ultrapassar a barreira dos 5% para entrar no parlamento regional.

Mesmo que a AfD não consiga maioria suficiente para governar sozinha, nota o Politico, a única forma de a manter fora do executivo passaria por uma coligação entre todos os restantes partidos — uma solução descrita como pesada e potencialmente instável.

A chegada da AfD a um cargo executivo teria consequências para além da Saxónia-Anhalt. Poderia afetar o Bundesrat, a câmara alta do parlamento alemão, composta pelos 16 estados federados, complicar a cooperação entre administrações regionais e ter impacto político no Bundestag e no Governo federal.

Uma vitória da AfD teria repercussões nos movimentos populistas de extrema-direita na Europa e seria bem recebida pela Administração Trump, que tem promovido a causa do partido, nota o Politico

A estrutura regional da AfD na Saxónia-Anhalt já foi classificada pelo serviço de informações interno alemão como “extremista de direita“. Um tribunal emitiu, em fevereiro, uma providência cautelar que impede o uso dessa designação até que haja uma decisão final acerca dessa classificação.

O candidato principal do partido, Ulrich Siegmund, de 35 anos, antigo membro da CDU, é apontado como provável primeiro-ministro regional caso a AfD vença.

Siegmund afirma estar comprometido com o Estado de direito e diz que escolherá a sua equipa com base no mérito.

Mas o programa regional da AfD, apresentado em abril e com 150 páginas, inclui medidas como a deportação de refugiados ou a sua transferência para “lares coletivos”, apesar de a Saxónia-Anhalt ser uma das regiões etnicamente mais homogéneas do país, com apenas 1 em cada 13 cidadãos com origem migratória.

O partido promete ainda cortar financiamento a órgãos públicos de comunicação considerados hostis e antipatrióticos, proibir símbolos da cultura “woke”, incluindo bandeiras LGBT nas escolas, e promover uma cultura “patriótica”. O programa critica também o movimento Bauhaus, com fortes raízes na região.

Na área demográfica, a AfD associa a baixa natalidade a “desvios sexuais e estilos de vida não reprodutivos” e promete benefícios fiscais e creches gratuitas para famílias compostas por “um pai, uma mãe e tantos filhos quanto possível”, no quadro do combate àquilo que descreve como “extinção do povo alemão”.

Embora a política externa seja competência do Governo federal, Siegmund defende o fim das sanções contra a Rússia, o regresso do ensino da língua russa às escolas e a retoma de programas de intercâmbio com estudantes russos. Em relação aos ucranianos, quer que sejam tratados como migrantes ilegais, e não como refugiados de guerra.

A Saxónia-Anhalt situa-se no leste da Alemanha, no território da antiga República Democrática Alemã (RDA), onde a AfD tem a sua base eleitoral mais forte. Nas legislativas federais de 2025, o partido ficou muito acima da média nacional.

A AfD ainda não moderou o discurso, ao contrário de outros movimentos populistas europeus, e o receio provocado pela possibilidade de vitória na Saxónia-Anhalt parece estar, segundo o texto, a traduzir-se mais em paralisia do que em preparação política, diz o Politico.


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