O entendimento centra-se na criação imediata de duas “zonas-piloto” de teste na região do sul do Líbano — uma localizada a norte do rio Litani e outra a sul. Nestes perímetros delimitados, as forças de defesa de Israel (IDF) comprometeram-se a iniciar uma retirada gradual das suas posições e o controlo destas áreas será transferido para as Forças Armadas Libanesas (LAF).

Para garantir a eficácia do plano, conselheiros e oficiais militares dos Estados Unidos vão trabalhar no terreno em coordenação direta com o exército libanês.

O objetivo primordial desta força conjunta é assegurar o desarmamento total e impedir qualquer reentrada ou influência de elementos do Hezbollah ou do Irão nestes setores.

Durante a cerimónia de assinatura, o embaixador de Israel, Yechiel Leiter, sublinhou a natureza estratégica do acordo. “Neste acordo, o Irão está fora, o Hezbollah está fora, e o caminho para a paz está dentro”, disse.

Por sua vez, o texto final consolida o entendimento político de que o Hezbollah passa a ser formalmente tratado como um ator hostil à própria soberania e estabilidade do Estado libanês.

Tensão permanente no terreno

Apesar do forte simbolismo e do otimismo demonstrado nas salas diplomáticas de Washington, a realidade no terreno recorda a enorme fragilidade do pacto. Pouco tempo após a assinatura do documento, as forças israelitas lançaram panfletos sobre a cidade de Mansouri, no sul do Líbano, ordenando a evacuação imediata de civis.

Fontes militares israelitas esclarecem que as IDF vão manter uma postura operacional agressiva e de patrulhamento rigoroso em toda a sua atual zona de ocupação até que os prazos e metas de desempenho da retirada gradual sejam validados e executados pelas comissões de verificação.

As próximas semanas serão assim determinantes para perceber se o exército do Líbano, com o apoio técnico e logístico de Washington, terá a capacidade operacional necessária para assumir o vazio de segurança e consolidar a autoridade naquela que é uma das regiões mais voláteis do planeta.