Uma tese de doutoramento em antropologia forense que analisou esqueletos na ilha Terceira detetou concentrações de chumbo e outros metais pesados muito superiores em amostras de habitantes da Praia da Vitória, onde fica a base das Lajes, em comparação às ossadas de residentes de Angra do Heroísmo, que fica a 23 quilómetros do local. O resultado do estudo, divulgado pelo semanário Expresso, retoma a hipótese de que os derrames de combustíveis realizados ao longo de décadas pelos militares norte-americanos na região estejam ligados a uma potencial contaminação, que já vem sendo noticiada há quase uma década.

Os metais mais relevantes detetados foram o cádmio, o crómio e o molibdénio, além do chumbo. “As concentrações de chumbo nos esqueletos variam entre 4 e 67 ppm (partes por milhão) e os testes estatísticos indicam que, no grupo da Praia da Vitória, são significativamente superiores: em média são de 12 ppm em Angra e de 18 em Praia da Vitória”, disse ao Expresso o responsável pela tese, Félix Rodrigues, de 32 anos, natural da Terceira.

Ainda assim, o investigador considera os resultados “provisórios”, afirmando que ainda é necessário perceber se o nível de concentração e exposição aos metais pesados pode estar ligado ao desenvolvimento de doenças como o cancro. “Se a presença dos metais pesados vem da contaminação, é uma discussão profunda que se tem de fazer a longo prazo. Mesmo que os corpos dos falecidos nos possam dar algumas informações, eles não falam. Mas as pessoas vivas falam. Essa era uma investigação que poderia ser feita”.

A tese de Félix Rodrigues está a ser financiada pelo Governo Regional dos Açores e será defendida este verão, no âmbito do programa de Antropologia Forense da Universidade de Coimbra.