Itália
O Ministério da Saúde italiano colocou 18 cidades, entre as quais Milão, Roma, Turim, Veneza, Florença, Génova e Bolonha, sob alerta vermelho para sábado e domingo, prevendo temperaturas próximas dos 40 graus. Na cidade alpina de Bolzano foi registada a noite de junho mais quente de sempre, com a temperatura mínima a não descer dos 25,4 graus.
A vaga de calor está também a fazer baixar rapidamente o caudal do rio Pó, o maior de Itália, que atravessa o principal vale agrícola do país e é essencial para a produção de arroz, milho, tomate e do leite utilizado no famoso queijo Parmigiano Reggiano.
Segundo a agência inter-regional Aipo, o caudal desceu para menos de 300 metros cúbicos por segundo, quando a média para junho ronda os 1.500. A redução do caudal está a permitir a entrada de água salgada do mar Adriático em vários canais de irrigação, ameaçando as culturas. “Nunca tinha descido tão depressa, tão cedo no ano”, afirmou Stefano Calderoni, da associação italiana de irrigação Anbi, citado pela AFP. Especialistas alertam que, mantendo-se o ritmo atual, as reservas de água poderão esgotar-se em poucas semanas.
Polónia e Europa Central
Depois de atingir a Europa Ocidental, a massa de ar quente está agora a avançar para leste. A Polónia registou temperaturas superiores a 30 graus em quase todo o território, enquanto Roménia, Eslováquia, Hungria, República Checa e Moldávia emitiram alertas para calor extremo. Em Bratislava, a temperatura mínima da madrugada de sexta-feira ficou nos 26,3 graus, estabelecendo um novo recorde para a capital eslovaca.
Suíça
Na Suíça, especialistas alertam para um degelo excecionalmente rápido dos glaciares. O chamado “glacier loss day”, que assinala o momento em que os glaciares perdem toda a neve acumulada durante o inverno e começam a consumir gelo antigo, deverá ocorrer já na segunda-feira (29), a segunda data mais precoce desde o início dos registos, segundo o organismo suíço de monitorização dos glaciares (Glamos). Os especialistas alertam para taxas de degelo excecionais em toda a cordilheira dos Alpes.
Reino Unido
No Reino Unido, a vaga de calor começou a perder intensidade durante o fim de semana, mas deixou um rasto de consequências. O país registou um novo recorde de temperatura para o mês de junho, com 37,3 graus, enquanto centenas de voos sofreram atrasos devido às trovoadas associadas ao calor extremo. Segundo o The Guardian, pelo menos cinco pessoas morreram afogadas nos últimos dias ao tentarem refrescar-se em rios, lagos e outras massas de água, numa das consequências mais graves do episódio de calor. O calor levou ainda muitas famílias a procurarem alojamentos com ar condicionado e obrigou hospitais a ativarem planos de contingência devido à pressão sobre os serviços de saúde.
Portugal escapou, para já, mas próxima semana traz mais calor
Ao contrário do que aconteceu em grande parte da Europa Ocidental, Portugal escapou esta semana à vaga de calor devido à aproximação de uma depressão proveniente de oeste, que transportou uma massa de ar mais fresco sobre o continente, explicou à SIC o meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Jorge Ponte.
A situação poderá, contudo, alterar-se já na próxima semana, pois os modelos meteorológicos apontam para uma subida acentuada das temperaturas, com possibilidade de um episódio de onda de calor. “Podemos ter aqui um episódio de uma onda de calor na próxima semana. A intensidade e a duração ainda é um pouco incerta (…), mas neste momento os cenários previstos são da ordem dos 40 ºC a 42 ºC, por exemplo, no Alentejo. Mesmo Lisboa poderá atingir valores próximos dos 40º“, afirmou o meteorologista.
As regiões Centro-Sul e Sul deverão ser as mais afetadas, embora o Norte também possa registar temperaturas muito elevadas.
com agências