— Acho que isso muda de geração para geração. Quando eu fazia teatro, tinha muito medo desse rótulo. Odiava quando alguém me achava galã, achava péssimo. Eu tinha a noção de que, quando você é chamado de galã, as pessoas estão querendo olhar mais para a opinião delas sobre a sua beleza e estética do que sobre o seu trabalho. É como se só a sua beleza bastasse. E isso me apavorava profundamente. Lembro que, em “Vai na fé”, um dos diretores me disse uma coisa que nunca mais saiu de mim: “Cara, você é bonito e você é bom ator, é muito talentoso. Aproveita que você tem os dois e joga com isso, joga com tudo que você tem. Não adianta você querer ficar negando um rótulo. Assume, porque, se eles querem te colocar nesse lugar, mostra que o seu trabalho está na frente disso”. Então fiz as pazes com esse rótulo. Aí você vai ver: os atores que eu considero galã são pessoas muito talentosas, como o próprio Chay, com quem estou contracenando.