O CEO da Lufthansa escolheu estar presente no momento em que a construção da Lufthansa Technik vai arrancar, quase colocando ele próprio a primeira pedra. Mas foi o tema TAP, cuja privatização vai ser fechada durante o verão, que mais abordou em antecipação à inauguração do futuro “hub” de manutenção da empresa alemã. Carsten Spohr assume que está disponível para assumir a gestão da TAP ao dia de hoje, e que vai respeitar qualquer que seja a decisão do Governo português.


O Negócios questionou Carsten Spohr sobre as últimas declarações do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, que assumiu uma cogestão da companhia portuguesa ainda em 2026, e o líder do grupo de aviação assegura que está pronto ao dia de hoje. “Estou pronto. Posso começar esta tarde se o primeiro-ministro assim o quiser”, respondeu Spohr, entre risos, uma vez que estava a escassos minutos de se reunir com o líder do Governo português.

Estou pronto. Posso começar esta tarde se o primeiro-ministro assim o quiser.

Carsten Spohr
CEO do grupo Lufthansa


O CEO da Lufthansa voltou a acrescentar que o interesse do grupo de aviação da TAP é “muito forte”. “Acreditamos muito em Portugal, por isso é que vamos abrir aqui um ‘hub’ de manutenção, acreditamos no futuro do Brasil e da América Latina e acreditamos no futuro que o grupo Lufthansa passa por ter ‘hubs’ espalhados pela Europa”, vincou o responsável máximo do grupo, recordando as compras na Suíça, Bélgica e, mais recentemente, em Itália.


“Há um interesse estratégico em conectar Portugal aos seus mercados, especialmente àqueles que são os seus ‘core’, como o Brasil, mas também aos mercados africanos e a todos os que estão próximos. Há um elevado interesse na TAP enquanto companhia que nós defendemos e também no futuro ‘hub’ que será no novo aeroporto”, destacou Spohr. Para a Lufthansa, apontou, o interesse e a estratégica, está assente “em várias dimensões e é extremamente elevado”.


“Já expressámos o nosso interesse pela TAP há algum tempo e o que estamos a construir hoje, com empregos e atividade, será adicionado à futura cooperação com a TAP”, apontou o gestor, lembrando que Portugal é a porta para o mercado latino-americano, principalmente para o Brasil onde a Lufthansa quer crescer, e que o país está bem posicionado geograficamente. 


Olhando para as companhias que estão no portefólio do grupo, Carsten Spohr apontou que “cada aliado em que investimos tem estado a crescer e conseguimos preservar as identidades”. Por isso, acrescentou, o Governo pode ir recolher detalhes aos seus homólogos suíços, belgas, austríacos e italianos, porque eles “irão confirmar que de conseguimos criar uma companhia aérea nacional mais robusta, mas também um ‘hub’ mais forte e melhores conexões”. 


Neste momento, a Lufthansa tem 50 ligações diárias para todo o território português, e Carsten Spohr não mostra sinais de querer abrandar. “São 350 vezes por semana, mais 6% do que no ano passado e mais 75% do que em 2019. Isso mostra, não só, o crescimento do grupo Lufthansa mas de am em o sucesso económico de Portugal”, apontou.