Rápida proliferação de ISTs com microorganismos resistentes a medicamentos preocupam autoridades de saúde. Modo alternativo de produção de fármacos se coloca como alternativa contra a obsolescência de antibióticos
Imagem: agência Brasil
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Um aumento alarmante nos casos de ISTs no continente europeu deve se tornar uma preocupação global, alerta Peter Beyer, membro da Parceria Global para Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos em artigo de opinião publicado no Guardian. A nova onda de infecções se destaca por ser causada por algo que há tempos é um grande problema para a saúde pública: as bactérias resistentes a antibióticos.
Como exemplo, o artigo resgata os 82 milhões de casos de gonorréia em 2020 ao redor do globo. Essas infecções sexualmente transmissíveis se mostraram cada vez mais difíceis ou impossíveis de tratar, uma vez que a resistência bacteriana tornou os medicamentos tradicionais ineficientes.
O artigo reforça, ainda, que os microrganismos resistentes não se limitam mais ao ambiente clínico. Em um mundo de rápidas e cotidianas conexões intercontinentais, os riscos de proliferação dessas doenças aumentam, e os impactos podem ser ainda mais profundos em nações de média e baixa renda. Já são aproximadamente 5 milhões de mortes relacionadas à resistência bacteriana anualmente, e este número deve aumentar em 70% até 2050.
Em matéria recente, o Outra Saúde abordou o Relatório Global de Vigilância da Resistência aos Antibióticos 2025, divulgado pela OMS. O documento aponta que a resistência de bactérias aumentou em mais de 40% em relação aos medicamentos monitorados por dados enviados de 104 nações.
O zoliflodacin, antibiótico para gonorréia resistente a múltiplas drogas, é posto por Beyer como exemplo de um novo modelo de desenvolvimento para fármacos. A substância é a primeira pensada exclusivamente para o combate da doença em décadas, e foi feita sem fins lucrativos, em um processo liderado pela Parceria Global para Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos, organização sem fins lucrativos fundada pela OMS. A iniciativa defende que essas drogas devem ser criadas como bens de saúde pública globais, visando acesso e uso sustentável universal, e não a ampliação das margens de lucro.
Em uma perspectiva nacional, o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão aponta que o Brasil precisa reduzir urgentemente sua dependência de importações e melhorar o acesso a antibióticos eficazes e acessíveis, novos e existentes. Isso se daria pelo fortalecimento do CEIS (Complexo Econômico-Industrial da Saúde), que pode garantir a capacidade produtiva não apenas para formular seus próprios antibióticos, mas também para fabricar insumos farmacêuticos ativos (IFA).
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