Sereno Canto / DivulgaçãoThiago Ramil e Kleiton Ramil assinam a música-tema do documentário.Sereno Canto / Divulgação

Antes de chegar ao cinema, o Sereno Canto nasceu como acalanto. Criado em 2012 pelos músicos e psicólogos Thiago Ramil e Raul Jung, o projeto começou em casas de acolhimento infantil, com canções de ninar, histórias e escuta afetiva. Mais de uma década depois, muda de escala: deixa o gesto de embalar crianças e passa a ouvir a cidade.

Essa nova etapa é Sereno Canto — Contos dos Cantos da Cidade, um documentário que será lançado nesta quinta-feira (2), às 19h, na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre. A sessão tem entrada gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria 30 minutos antes, e será seguida de debate com elenco.

Com direção cinematográfica de Lucas Moraes, o filme parte da tradição oral para olhar Porto Alegre por vozes que nem sempre aparecem nas narrativas oficiais. São cinco personagens ligados à memória, à arte, à ancestralidade e aos deslocamentos que formam a Capital. 

Iracema Gãh Té, liderança espiritual do povo Kaingang, fala da relação com o Morro Santana, das nascentes soterradas e do cipó usado no artesanato. Mestre Paraquedas traz a história do samba e do carnaval gaúcho. A bailarina e coreógrafa Eva Schul rememora a efervescência cultural da cidade em outras décadas. Loua Pacôm Oulaï, artista marfinense radicado no Brasil desde 2016, aborda os fluxos migratórios. E Nina Fola, socióloga e ativista cultural, puxa a luta e a resistência da população negra.

— Muitas vezes, estudamos na escola uma história muito distante de nós e, frequentemente, mal contada. Se não nos interessarmos em apreender as memórias das ruas onde caminhamos, esse patrimônio imaterial parte junto com as gerações — afirma Thiago Ramil.

A obra também aposta em imagens de arquivo, com fotos e vídeos antigos que atravessam diferentes épocas de Porto Alegre. Para o idealizador, a força do filme está no encontro entre lembrança individual e experiência coletiva.

— A contação da história, diferente da história escrita, se emaranha muito com as memórias, com o jeito que cada um conta. Buscamos trazer narrativas que nunca foram hegemônicas dentro da cidade — diz.

Como em outras fases do projeto, a música aparece como fio condutor. A canção-tema marca uma parceria inédita entre Thiago e o tio, Kleiton Ramil, da dupla Kleiton & Kledir. Os dois já dividem o palco no projeto familiar Casa Ramil, mas esta é a primeira composição feita estritamente a quatro mãos. A melodia e a harmonia são de Kleiton; a letra, escrita por Thiago a partir do conteúdo bruto das entrevistas, funciona como uma sexta narrativa e trata Porto Alegre como um cais de encontros, com uma homenagem a cada convidado.

— Eu sentei com o conteúdo bruto das cinco entrevistas e fui amarrando as falas em poesia, brincando com a imagem de Porto Alegre não apenas como um porto físico, mas como um cais de encontros — conta.

Carol Rosa / DivulgaçãoCapa do documentário “Sereno Canto — Contos dos Cantos da Cidade” e do single da música-tema do projeto.Carol Rosa / Divulgação

Os desdobramentos seguem ao longo do mês. O single chega às plataformas digitais na sexta-feira (3), e a versão acessível do documentário, com Libras e audiodescrição, entra no canal do projeto no YouTube em 9 de julho. Selecionado pelo Edital 31/2024 — PNAB/RS Memória e Patrimônio, o filme é uma produção da Continente Filmes, com roteiro de Thiago Ramil e Lucas Moraes.

Programe-se

O quê: Lançamento do documentário Sereno Canto — Contos dos Cantos da Cidade, com debate

Quando: Quinta-feira (2), às 19h

Onde: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085, Centro Histórico)

Quanto: Gratuito, com retirada de ingressos na bilheteria 30 minutos antes

* Produção: João Vítor Debiasi

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