Vanessa Martins voltou a falar abertamente sobre endometriose, uma doença que acompanha há vários anos e à qual tem procurado dar visibilidade. Num evento promovido no âmbito da saúde, a influenciadora partilhou a sua experiência na primeira pessoa, abordando o diagnóstico, os sintomas, os tratamentos e o impacto da doença no desejo de ser mãe.

Na publicação que fez depois do encontro, Vanessa recordou que começou a falar da doença há cerca de oito anos e que essa partilha levou muitas mulheres a reconhecerem sinais semelhantes e a procurarem diagnóstico. «Quando há cerca de oito anos falei pela primeira da minha doença aqui, a minha partilha gerou uma onda de questões sobre as dores menstruais, muitas mulheres descobriram o seu diagnóstico».

A influenciadora deixou também um alerta direto para quem continua a ouvir que a dor menstrual intensa é “normal”. «Se há uma médica que vos diz que a dor menstrual é normal, nunca mais metam os pés nessa médica. Eu acho que é procurar. Se não estamos satisfeitas com a/o nossa/o médica/o, temos de procurar. Procura outra. Somos milhões de pessoas. Há algum que vai encaixar». A recomendação está alinhada com a informação clínica disponível, já que a endometriose pode provocar fortes dores pélvicas, dor durante a menstruação, durante as relações sexuais ou até fora do ciclo menstrual.

Vanessa sublinhou precisamente essa ideia ao explicar que as dores da endometriose não surgem apenas na menstruação. «Deixem-me dizer que as dores da endometriose não aparecem só durante a menstruação, aparecem em qualquer altura do ciclo». Segundo fontes médicas, a doença caracteriza-se pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e pode causar dor pélvica crónica, alterações intestinais ou urinárias e dificuldades de fertilidade.

Ao recordar o processo de diagnóstico, Vanessa contou: «Num exame, ele disse-me que não tinha nada nos intestinos e que tinha de ser atendida por um especialista de endometriose. Na altura perguntei o que era a endometriose». Desde então, foi submetida a cirurgia e mantém acompanhamento clínico e medicação, como também explicou publicamente: «Fiz a cirurgia, sou medicada, sou acompanhada».

Um dos pontos mais sensíveis do testemunho foi o impacto da doença na fertilidade. Vanessa revelou que voltou a tentar engravidar no ano passado, mas sem sucesso, e acrescentou: «Não consegui e ganhei um foco de endometriose no umbigo, neste momento». A relação entre endometriose e infertilidade está bem documentada: a doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e está associada a infertilidade numa parte significativa dos casos, embora nem todas as mulheres com endometriose sejam inférteis.

A influenciadora recuou ainda ao período em que era pública a vontade de ter filhos durante a relação com Marco Costa. «Na minha antiga relação era pública a vontade de ter filhos e, de facto, eu não conseguia ter filhos. Não tinha essa resposta para as pessoas. Estava a tratar-me, estava a tentar perceber porque é que não conseguia ter filhos». E acrescentou: «Posso não conseguir engravidar, mas vou ter filhos. A pessoa não desiste de ter filhos, a pessoa desiste do sofrimento. Porque se souber que tenho que voltar a fazer exatamente tudo o que já fiz, eu não quero fazer. Porque dói, porque é cansativo, é demorado, é uma incógnita».

Apesar de continuar a lidar com a doença, Vanessa diz que hoje vive essa realidade de forma diferente. «Hoje em dia já fiz as pazes com a doença e já consigo ver a vida de outra maneira. Sou uma pessoa positiva e acredito sempre que há coisas piores. Estou bem, tenho força e energia para enfrentar os desafios da vida. É possível sermos a nossa melhor versão mesmo com endometriose».

No seguimento, explicou que os cuidados que mantém fazem parte de uma escolha pessoal e não apenas de uma estratégia para controlar a doença. «Muita gente pergunta o que é que eu como ou o que faço para controlar a doença. É um estilo de vida que adquiro por mim, não pela doença, mas não é uma coisa que faça pela endometriose, faço por mim». O testemunho termina com uma mensagem de aceitação e adaptação: «Acabamos por, se calhar, fazer as pazes com isso e arranjar outras soluções. Porque é realmente muito custoso [tanto a nível físico como financeiro]. Abala uma relação, abala a nossa vida pessoal. Não se deem condenadas por terem uma doença para sempre. É pensar: é isto que temos, vamos trabalhar por cima disto e ser a nossa melhor versão com a endometriose, que é possível».