É a primeira vez que acontece?
Não, vários membros da Fraternidade já estiveram excomungados devido a uma situação em tudo semelhante à que ocorreu esta quarta-feira. Em 1988, quatro bispos foram consagrados em Ecône sem autorização e explicitamente contra a vontade do então papa João Paulo II.
Todos os envolvidos na cerimónia foram então excomungados por João Paulo II, abrindo uma ferida com o Vaticano que nunca chegou bem a ser curada.
A maior tentativa de reconciliação foi tomada por Bento XVI, quando, em 2009, retirou as excomunhões feitas aos bispos envolvidos nesse ato como forma de tentar restaurar a comunhão completa da Fraternidade com o Vaticano, algo que nunca se concretizou.
Que impacto pode ter a quebra total com este grupo para a Igreja Católica?
No total, a Fraternidade Sacerdotal Dom Pio X tem 1.500 membros consagrados, incluindo mais de 700 sacerdotes e 250 freiras. Já em termos de fiéis que seguem os ensinamentos deste grupo, serão à volta de cem mil seguidores, 800 em Portugal.
Apesar destes números, Paulo Mendes Pinto afirma que, “demograficamente e dentro da escala da Igreja Católica, é um grupo com peso muito reduzido”. Porém, conta que há um outro nível de poder que este grupo e várias outras fações mais conservadoras da Igreja Católica têm.
“São cada vez mais grupos que, social e economicamente, são bem posicionados nos seus países e, portanto, têm um poder, não é demográfico, mas é social e económico”, disse, acrescentando que será “interessante” entender como é que as outras fações mais conservadoras se vão posicionar.
“Se vão ter coragem e irão seguir a posição deste grupo e irão criticar o papa, ou se vão ficar numa posição mais ou menos apagada, não afrontando o papa”, especifica o professor, notando que, ainda assim, estes grupos continuam a ter “uma ligação de obediência” ao pontífice.
E, para o investigador, um destes grupos cuja reação se espera é a Opus Dei, onde “haverá muita gente que defende posições eventualmente próximas” da Sociedade Pio X, notando que, apesar de a Opus Dei ter uma relação demasiado próxima com o Vaticano para haver “uma situação de rutura como esta”, poderá “haver alguns quadros de discordância”.