O olho sempre atento do satélite Copernicus Sentinel‑3 da ESA continua a mostrar as vagas de calor que estão a fazer a Europa ferver. Em Portugal as temperaturas vão bater recordes e chegar aos 40 graus no Ribatejo e interior alentejano.

A Europa atravessa uma onda de calor histórica, com temperaturas muito acima do normal para maio e junho, visíveis nas imagens de satélite do Copernicus Sentinel‑3. A ESA confirma que vários países registaram recordes de temperatura para o mês de maio, incluindo o Reino Unido, que atingiu 35º C, ultrapassando o máximo anterior em 2º C.

A Irlanda também superou o seu recorde mensal. Em Budapeste, a temperatura chegou aos 32,2º C, estabelecendo um novo máximo para maio na capital húngara. Itália, Espanha, Alemanha e Suíça enfrentaram igualmente valores invulgarmente elevados para esta época do ano, reforça a ESA. Esta semana é Portugal a atravessar uma onda de calor que levou o IPMA a alertas de temperaturas acima do normal.

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As imagens captadas pelo Sentinel‑3 revelam temperaturas de superfície ainda mais extremas, muito superiores às temperaturas do ar, devido à capacidade das rochas e solos acumularem calor. No conjunto de dados de 23 de junho, analisado pela Space.com, o satélite detectou 55º C em zonas de Espanha, França e Norte de África, com Madrid a atingir 48º C e Roma 44º C em temperatura de superfície, que são valores inéditos para o início do verão. 

Veja as imagens:

  • Imagens de satélite do calor na Europa a 23 de junhoImagens de satélite do calor na Europa a 23 de junho
  • Imagens de satélite do calor da marina do Reino Unido a18 junhoImagens de satélite do calor da marina do Reino Unido a18 junho
  • Imagens de satélite de 29 de junho mostram o calor no mar MediterrâneoImagens de satélite de 29 de junho mostram o calor no mar Mediterrâneo
  • Imagens de satélite do calor na Europa a 26 de maioImagens de satélite do calor na Europa a 26 de maio

Estes extremos contribuíram para mais de 1.300 mortes atribuídas à onda de calor, segundo autoridades citadas pela OMS na BBC. No último domingo, foi registado na Alemanha o dia mais quente de sempre pelo terceiro dia consecutivo, acima dos 41,7º C. 

Voltando um pouco mais atrás, as imagens de 29 de maio mostram que a situação já era grave semanas antes: Londres ultrapassou os 35º C, quando o normal para maio seria entre 10 e 19º C, frequentemente com chuva. O calor extremo estendeu-se por toda a Europa Central e do Sul, incluindo Hungria, Espanha, Itália, Alemanha e Suíça, com alertas meteorológicos severos em vigor para milhões de pessoas. 

A sensação térmica, que tem em conta fatores como a humidade, o vento e a radiação solar, atingiu valores entre 35 e 40º C em vastas áreas da Europa Ocidental. Estes níveis correspondem a situações de forte ou muito forte stress térmico, aumentando os riscos para a saúde humana.

A ESA destaca que Sentinel‑3, ao medir temperaturas de superfície em tempo quase real, permite compreender melhor a evolução destas ondas de calor e os seus impactos. A OMS reforça que a Europa é o continente que mais rapidamente aquece no planeta. O continente aquece o dobro da média global, sendo uma tendência que torna estes eventos mais frequentes e mais intensos.

O Mediterrâneo tornou-se um dos símbolos mais alarmantes da atual crise climática, ao quebrar o recorde de temperatura média da superfície para o mês de junho. Os dados de 29 de junho mostram anomalias térmicas que chegam a mais 8º C acima da média de 1991-2020, especialmente ao largo da costa do sul de França, em torno da Córsega, Sardenha e ao longo da península italiana. Os dados revelam que o Mediterrâneo está a aquecer mais depressa do que o esperado para esta época do ano. 

O Copernicus confirmou ainda que o aquecimento global dos oceanos ultrapassou os recordes de 2023 e 2024, com 21º C registados a 21 de junho, um novo máximo diário global. Este salto térmico no Mediterrâneo não é apenas um indicador regional, é um sinal claro de que o oceano está a entrar numa fase crítica de aquecimento acelerado.

Veja o vídeo:

Voltando aos registos no Reino Unido e na Irlanda, os países enfrentam uma das mais severas ondas de calor marinhas do planeta, com temperaturas da superfície do mar a ultrapassar em muito os valores típicos para esta época do ano. As medições por satélite mostram que partes do Mar do Norte estão mais de 5º C acima da média, enquanto no Mar Báltico as anomalias chegam aos 8º C acima do normal. A ESA classifica este evento como uma onda de calor marinha de Categoria IV/V, um nível extremo e altamente invulgar para junho nas águas britânicas e irlandesas. 

Esta combinação de aquecimento atmosférico e oceânico ameaça provocar mortalidade massiva de peixes e outros organismos marinhos, além de alterar padrões do vento e precipitação nas regiões costeiras. Os especialistas alertam que este aquecimento não é isolado, pois integra uma tendência global que já levou abril e maio de 2023 a registarem as mais altas temperaturas médias da superfície oceânica desde 1850. Isto contribui para fenómenos extremos como os incêndios no Canadá, ondas de calor na Ásia e a redução do gelo marinho na Antártida.

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