A luta contra a IPTV tem tomado proporções cada vez maiores e mais agressivas. Espanha tem sido um dos países com as medidas mais incidentes, mas isso tem um preço elevado a ser pago. Do que foi revelado, na guerra contra IPTV, 500 mil sites legítimos foram bloqueados por engano.
Vítimas inocentes da guerra contra IPTV
Numa tentativa de combater a IPTV ilegal, a LaLiga bloqueou os sites da Amnistia Internacional, da Greenpeace e da Cool Earth. Entre janeiro e junho, um total de 500 mil sites legítimos foram bloqueados. O problema reside na técnica usada pela Liga Espanhola de Futebol para proibir transmissões ilegais de jogos. Pior ainda, um operador espanhol recorreu a técnicas de interceção de redes para combater a pirataria.
Para combater a transmissão ilegal de jogos, a Liga Espanhola de Futebol, LaLiga, utiliza os fornecedores de Internet para bloquear os endereços IP dos servidores piratas. Trata-se de um sistema de bloqueio “dinâmico”, que pode ser aplicado em tempo real. O problema é que alguns servidores ilegais partilham o mesmo endereço IP que os sites legítimos.
🔴 New report: Collateral Damage of IP-Based Blocking During LALIGA Football Streaming in Spain: Evidence from OONI Measurementshttps://t.co/ybJ1BBpXlw
Our latest research report presents OONI data documenting widespread collateral damage caused by IP blocking in #Spain during… pic.twitter.com/vNirkfEKfZ
— OONI (@OpenObservatory) June 30, 2026
Durante seis meses, o Observatório Aberto de Interferência em Redes (OONI), uma organização de monitorização da censura, estudou o impacto deste método empregue pela LaLiga. As suas conclusões são inequívocas. Embora a LaLiga tenha de facto bloqueado sites que transmitiam partidas ilegalmente, também bloqueou, posteriormente, um total de 500.000 sites legais entre janeiro e junho.
500 mil sites legítimos bloqueados por engano
Entre os sites legais bloqueados estavam a Amnistia Internacional, a Greenpeace Argentina, a Cool Earth e a organização científica sem fins lucrativos Berkeley Earth. Ao tentar neutralizar os sites ilegais, a LaLiga bloqueou inadvertidamente organizações de direitos humanos e grupos ativistas das alterações climáticas. Em concreto, estes bloqueios ocorreram nos dias de jogo, entre o início e o final da partida.
Em síntese, a LaLiga está a usar uma arma letal para acabar com um pequeno problema. De notar que a liga está ciente do problema. Ainda mais problemático, para implementar estes bloqueios da LaLiga, a operadora espanhola Digi Mobil utilizou técnicas de interceção intrusivas comparáveis às usadas em certos ataques cibernéticos.
Ao intercetar ligações HTTPS via um ataque do tipo “homem no meio”, a operadora conseguiu inspecionar o tráfego dos seus clientes. Embora o objetivo inicial fosse atingir o tráfego pirateado alojado na Amazon ou na Cloudflare, este método afetou mais de 10.000 domínios legítimos. O OONI (Observatório Espanhol de Utilizadores da Internet) denuncia esta tendência em que o combate à pirataria se transforma num ataque direto à privacidade e segurança dos utilizadores.

