A luta contra a IPTV tem tomado proporções cada vez maiores e mais agressivas. Espanha tem sido um dos países com as medidas mais incidentes, mas isso tem um preço elevado a ser pago. Do que foi revelado, na guerra contra IPTV, 500 mil sites legítimos foram bloqueados por engano.

IPTV sites bloqueados engano

Vítimas inocentes da guerra contra IPTV

Numa tentativa de combater a IPTV ilegal, a LaLiga bloqueou os sites da Amnistia Internacional, da Greenpeace e da Cool Earth. Entre janeiro e junho, um total de 500 mil sites legítimos foram bloqueados. O problema reside na técnica usada pela Liga Espanhola de Futebol para proibir transmissões ilegais de jogos. Pior ainda, um operador espanhol recorreu a técnicas de interceção de redes para combater a pirataria.

Para combater a transmissão ilegal de jogos, a Liga Espanhola de Futebol, LaLiga, utiliza os fornecedores de Internet para bloquear os endereços IP dos servidores piratas. Trata-se de um sistema de bloqueio “dinâmico”, que pode ser aplicado em tempo real. O problema é que alguns servidores ilegais partilham o mesmo endereço IP que os sites legítimos.

Durante seis meses, o Observatório Aberto de Interferência em Redes (OONI), uma organização de monitorização da censura, estudou o impacto deste método empregue pela LaLiga. As suas conclusões são inequívocas. Embora a LaLiga tenha de facto bloqueado sites que transmitiam partidas ilegalmente, também bloqueou, posteriormente, um total de 500.000 sites legais entre janeiro e junho.

500 mil sites legítimos bloqueados por engano

Entre os sites legais bloqueados estavam a Amnistia Internacional, a Greenpeace Argentina, a Cool Earth e a organização científica sem fins lucrativos Berkeley Earth. Ao tentar neutralizar os sites ilegais, a LaLiga bloqueou inadvertidamente organizações de direitos humanos e grupos ativistas das alterações climáticas. Em concreto, estes bloqueios ocorreram nos dias de jogo, entre o início e o final da partida.

IPTV sites bloqueados engano

Em síntese, a LaLiga está a usar uma arma letal para acabar com um pequeno problema. De notar que a liga está ciente do problema. Ainda mais problemático, para implementar estes bloqueios da LaLiga, a operadora espanhola Digi Mobil utilizou técnicas de interceção intrusivas comparáveis ​​às usadas em certos ataques cibernéticos.

Ao intercetar ligações HTTPS via um ataque do tipo “homem no meio”, a operadora conseguiu inspecionar o tráfego dos seus clientes. Embora o objetivo inicial fosse atingir o tráfego pirateado alojado na Amazon ou na Cloudflare, este método afetou mais de 10.000 domínios legítimos. O OONI (Observatório Espanhol de Utilizadores da Internet) denuncia esta tendência em que o combate à pirataria se transforma num ataque direto à privacidade e segurança dos utilizadores.