A “febre” das canetas
emagrecedoras, de que forma elas têm afetado o consumo de alimentos e qual tem
sido o impacto na gôndola dos supermercados foi o tema central do bate papo de
mais um episódio inédito do SV TÁ ON, que recebeu para a discussão Thomaz
Machado, CEO da Scanntech Brasil e Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS
(Associação Paulista de Supermercados).
LEIA TAMBÉM
Canetas emagrecedoras crescem 239% no Brasil e já transforma o carrinho do consumidor
Canetas emagrecedoras alteram consumo no varejo supermercadista
Durante o episódio, Machado, da
Scanntech, analisou que a ascensão das canetas nada mais é do que um reflexo da
tendência da busca pela saúde, que só cresceu desde a pandemia. “No Brasil as
canetas emagrecedoras têm tido uma relevância maior do que em outros países. As
canetas já existem a algum tempo, e não é um medicamento recente. Na verdade,
as canetas vêm acelerando uma tendência que já existia. As canetas começaram a
chegar no Brasil, na verdade, no começo de 2025, mas mesmo antes disso já
víamos essa migração do consumidor brasileiro. O brasileiro está mais
preocupado com saúde, com viver melhor e também a estética”, analisou o CEO da
Scanntech Brasil.
Nessa busca pela saúde, Queiroz
ressaltou que elas contribuem também na questão da estética, atributo muito
valorizado no país. “O medicamento surge inicialmente como tratamento para
diabetes. A medida que foram percebendo que ele ajuda no controle da perda de
peso, principalmente em pessoas obesas, o medicamento evoluiu mundo a fora.
Sabemos o quanto a estética importa na nossa própria sociabilidade e as canetas
acabam sendo um complemento nisso”, pontuou Queiroz, da APAS.
Para ressaltar que o medicamento
e o seu uso entre os brasileiros nada mais é do que um reflexo de uma tendência
em aceleração, Machado, da Scanntech, listou o cenário já em andamento nas
prateleiras dos supermercados em um período que antecedeu a “força” das
canetas. “Já víamos essas tendências acontecendo, então quantificando, já tínhamos
detectado uma queda no consumo de açúcares, ultraprocessados e produtos para
indulgência no geral, e um crescimento de perecíveis, puxados especialmente por
proteínas. Já vemos esse movimento acontecendo a alguns anos e isso vem
acelerando ainda hoje com as canetas”, afirmou.
Por fim, Queiroz, economista da
APAS reforçou durante o bate-papo, de que maneira essas transformações afetam o
varejo alimentar e o consumo de alguns produtos. “As transformações sociais
impactam o varejo. Os ovos eram os grandes inimigos nos anos 2000. Passado dois
anos, era positivo consumir ovos e hoje ainda é. A percepção sobre o consumo se
altera, mas a macrotendência é que as pessoas querem viver melhor e mais. E por
outro lado, apontam como entrar na terceira idade de forma positiva. Por isso
as canetas entram nesse contexto, assim como os influencers de saúde, fitness e
os produtos ofertados no supermercado. E os dados da Scanntech mostram
exatamente isso”, avaliou Queiroz.
Confira o episódio completo: