— Ficamos sete meses imersos em depoimentos, mas, no final, eu não quis lançar o livro. Fiquei com muito medo de ficar estigmatizada, porque vivemos em um mundo de muitos julgamentos e preconceitos. Eu sempre adiava, mas aí veio a pandemia, o mundo adoeceu e todo mundo olhou para a saúde mental. Agora o projeto está andando mesmo. Vou lançar o livro e um documentário também, acredito que até o final do ano. Eu acho importante falar sobre o TOC porque é uma doença invisível, mas que não deixa de ser uma doença. Ao contrário das visíveis, como quebrar um braço ou ter uma dor de barriga, essa compromete a sua vida inteira e em todos os setores. Quando eu tive TOC, a minha vida parou. Foi muito difícil. Eu não pude trabalhar, não pude fazer nada. Como foi em 1997, uma época em que ninguém falava sobre isso, tive que marcar consultas com vários médicos para entender o que era. Não existia nem livro que falasse sobre o assunto. Fui batendo cabeça, indo a médicos, procurando livros que não existiam e lutando. Até eu mesma tinha preconceito em relação a tomar remédio: achava que ia me dopar, tudo por falta de informação.