A Chery decidiu apostar tudo na confiança dos consumidores e lançou um programa de segurança de baterias que define que, se o veículo sofrer danos por causa de um incêndio na bateria, o cliente recebe um carro novo.
De nome Rhino Battery Safety Program, o programa da Chery é apoiado por um investimento de 10 mil milhões de yuan (cerca de 1,3 mil milhões de euros) em investigação e desenvolvimento.
Na prática, traduz-se numa garantia vitalícia contra incêndios provocados pela bateria, com substituição total do veículo caso ocorra um descontrolo térmico que provoque danos físicos.
A iniciativa aplica-se a todas as plataformas elétricas de passageiros da Chery, atuais e futuras, incluindo modelos híbridos plug-in que ainda estão a chegar ao mercado, como os Fulwin A9 e Fulwin T7.
O programa não fica pela marca principal, abrangendo as restantes marcas do grupo: Exeed, Jetour e iCAR; sempre que os modelos utilizem a bateria Rhino.
Anúncio do programa da Chery não é coincidência
O anúncio foi feito a 1 de julho de 2026, dia em que entrou em vigor, na China, a norma GB38031-2025, considerada a mais rigorosa alguma vez aplicada a baterias de veículos elétricos no país.
Entre outras coisas, a nova regra exige que, após um descontrolo térmico, a bateria não incendeie nem exploda.
Uma particularidade legal é que a norma só é obrigatoriamente exigida a modelos homologados depois dessa data, com um período de transição de um ano para os restantes. Isto significa que, em teoria, muitos veículos elétricos já vendidos na China não são obrigados a cumpri-la de imediato.
Ainda assim, a Chery optou por ir além da lei, alargando a garantia de substituição a todos os veículos já vendidos, e não apenas aos modelos novos, um gesto que fontes chinesas destacam como pouco habitual no setor.
Estratégia que sustenta a promessa
Para conseguir oferecer uma garantia tão ousada, a Chery alega ter reforçado significativamente os critérios de engenharia e fabrico. A estrutura da bateria está preparada para suportar um impacto contínuo de 1500 joules na parte inferior do veículo, um valor 10 vezes superior ao mínimo exigido pela nova regulamentação estatal chinesa.
Ao nível das células, os testes incluem perfurações simultâneas com dez pinos sem registo de fumo ou ignição, além de ensaios de esmagamento, imersão em água e perfuração com pregos, sempre sem desencadear descontrolo térmico.
Já no fabrico, as áreas de montagem mantêm níveis de pureza elevados, com apenas 40 partículas de pó por metro cúbico, e o transporte de componentes é feito através de uma linha de logística por levitação magnética, que reduz a contaminação por atrito.
A marca reforça ainda que uma frota de teste com 43 mil veículos já percorreu mais de 1,2 mil milhões de quilómetros sem qualquer incidente de incêndio relacionado com a bateria.

