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“Quente e Frio”, edição de quinta-feira, 09 de julho, com a Filomena Martins. Olá, Filomena, muito boa tarde.
Olá, Nelson.
Parece que o tempo muda mesmo a partir de amanhã. É isto?
É, começa a mudar esta sexta e depois muda mesmo no fim de semana. Esta sexta já tens a possibilidade de aguaceiros e trovoadas no interior norte e centro, sobretudo em Trás-os-Montes, que curiosamente é onde está um dos dois distritos do interior que continuam sob aviso amarelo também devido ao calor, que é Bragança, o outro é Guarda. Ou seja, durante alguns dias vamos ter calor e trovoadas ao mesmo tempo, que é um contraste muito típico do verão, não é nada de inesperado. Também nesta sexta-feira, quer o litoral norte, quer o litoral centro vão acordar com o céu já bastante nublado e alguns chuviscos. Depois, durante a tarde, o calor acumulado junto ao sol e o ar mais fresco em altitude vão dar origem a mais aguaceiros e às tais trovoadas que já estão. No sábado, a instabilidade vai repetir-se, sobretudo no extremo norte, enquanto o calor continua a fazer sentir-se um bocadinho ainda no interior. Depois, só no domingo e na segunda-feira é que o ar atlântico, já está aberta a porta pela tal Dana que falamos ontem, vai ganhar mais espaço, vai trazer mais nuvens, vai trazer alguma chuva fraca ao litoral norte e ao centro e uma descida muito evidente das temperaturas.
E se querem saber o que é Dana, ouçam o episódio de ontem de “Quente e Frio” que está em observador.pt. Mesmo assim, como já vimos, o interior ainda continua quase sempre bem acima dos 30 graus.
Sim, o resto não, mas Bragança vai voltar a ser a cidade mais quente do país, com cerca de 37 graus, depois Castelo Branco e as cidades do Alentejo acima de 30. No outro extremo, Viana do Castelo e o Porto vão ficar pelos 22 graus. Durante as noites, as mínimas também ficam muito mais baixas, com 14 graus em Beja e Portalegre, se tu te lembras, já estiveram nos 27, 28, e Faro continua a registar a noite mais quente do continente, mas só com 18 graus, já esteve acima de 30. O vento vai mudar, sopra de oeste e noroeste, vai trazer o frio do Atlântico e para quem vai de férias ou está na praia, a água do mar está fresquinha, está 18, 21 graus na costa ocidental, e lá mais no Algarve um pouco mais morna, 22, 24.
Enquanto por cá, Filomena, regressam estas tais trovoadas de verão, do outro lado do mundo, a China vê aproximar-se um supertufão e enfrenta também tornados. Quando pensamos em tornados, eu penso sempre nos Estados Unidos. Não sabia que existiam também com frequência na China, não é?
Com frequência não existem, mas existem. E alguns podem ser muito violentos. Mas sim, são muito mais raros do que nos Estados Unidos. Só que esta semana, um tornado atingiu a província chinesa de Hubei e fez já 11 mortos, mais de 330 feridos e deixou milhares de edifícios danificados. E sim, o supertufão Bavi, já falamos dele aqui várias vezes, vai fazer landfall, em princípio, na madrugada de domingo e não vai ficar nada bonito onde ele aterrar.
Mas afinal, o que é um tornado, Filomena?
Isto também não é difícil de explicar. É uma coluna de ar que roda a enorme velocidade e liga uma nuvem de trovoada ou tempestade ao solo. É simplesmente isto. Só que é preciso que junto ao solo exista ar muito quente e muito úmido e que a alguns quilômetros acima haja ventos também muito fortes e muitas vezes a soprar noutra direção. Esses ventos, de um lado e do outro, cá embaixo e lá em cima, fazem com que a tempestade comece a rodar. É como imaginares uma bailarina a rodopiar. Quando ela junta os braços ao corpo, rodopia mais depressa, cada vez mais depressa. Com o tornado é exatamente semelhante. A rotação começa a ocupar uma área muito grande dentro da tempestade e depois vai sendo comprimida e estreitada, e quanto mais estreita fica, mais depressa roda, até formar aquele funil que vemos a tocar no solo. É assim que nasce um tornado.
Ontem também falamos do olho do furacão, que é uma expressão mal usada na maior parte das vezes. Ouçam o episódio de ontem. Por que há tantos nos Estados Unidos?
Porque nos Estados Unidos eles têm uma combinação quase perfeita. Vem o ar muito quente e úmido do Golfo do México e têm aquele ar frio e seco que vem das Montanhas Rochosas e do Canadá. E depois têm ventos fortes em altitude. Esse encontro de massas de ar é muito diferente e faz dos Estados Unidos o país com mais tornados do mundo, cerca de 1200 por ano, a maioria naquela zona que eles chamam o Tornado Alley ou o Corredor dos Tornados, que é Texas, Oklahoma, Kansas, Nebraska e Dakota do Sul.
Já percebemos que na China não são tão frequentes. Em Portugal também existem, mas também são raros.
São, mas existem, e o IPMA tem identificados vários, e trombas d’água, que são tornados no mar, sobretudo no litoral e durante o outono e o inverno. O mais intenso já conhecido ocorreu em Castelo Branco em 1954 e foi classificado como F3. A escala Fujita, que é a que mede os tornados, vai de F0 a F5. Um F3 já é muito significativo, são ventos entre 250 e 330 km/h, capazes de arrancar telhados, destruir casas mal construídas e levantar automóveis. Este da China foi um F2, portanto, inferior, com ventos entre 169 e 218 km/h. Um F5 passa dos 420 km/h e é destruição quase total.
Total. Vamos terminar com uma curiosidade que aconteceu precisamente ontem.
Ontem. Passou-nos aqui ao lado um bocadinho, mas foi à 01h15, hora de Portugal continental, e é o momento do ano em que praticamente toda a humanidade estava ao mesmo tempo debaixo da luz do sol. Segundo o EUMETSAT, cerca de 99% da população mundial estava no lado iluminado da Terra. Como toda a gente sabe, há uma parte do dia em que uma parte da Terra está iluminada, é dia, do outro, é de noite. Neste dia e nesta hora, devido à inclinação do planeta e porque quase toda a população está concentrada na Europa, na Ásia e na África, nesta altura do ano, porque é verão, estão simultaneamente voltados para o sol. Portanto, é um daqueles raros momentos, quase único, em que quase toda a humanidade partilha a luz do dia.
Uma bela curiosidade. No fecho do “Quente e Frio” desta quinta-feira. Amanhã vamos ter nova edição com a Filomena Martins. Filomena, até amanhã.
Até amanhã, Nelson.