Matt Longman, assistente da polícia de Devon e Cornwall, apenas indicou que este homicídio “não está a ser tratado como terrorismo”, mesmo sendo “um incidente extremamente trágico”. A polícia abriu uma investigação para apurar os contornos da morte. Nigel Farage já fez um pedido nas redes sociais: que se pare com a “especulação” em redor do que poderá ter motivado este suposto homicídio.

“Não sabemos se há motivos políticos. Poderá ter sido um roubo que acabou mal? Nós não sabemos”, frisou o líder do Reform UK, que, ainda assim, sublinhou que as coisas “estão a ficar mais perigosas” principalmente no “espaço político” com o qual se identifica. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também assinalou a “divisão política” que existe no Reino Unido: “Todo o país está totalmente chocado com esta notícia horrível”.

Entretanto, foi detido um homem branco com 26 anos. Num vídeo nas redes sociais, antes da sua detenção, Keir Starmer descreveu-o como sendo “perigoso”, mas não deu mais detalhes, pedindo apenas para quem tivesse informações para contactar as autoridades. A identidade do suposto homicida ainda não foi revelada pela polícia britânica.

Ainda que seja incerto o que causou a morte de Ann Widdecombe, há dez anos registou-se uma morte com motivações políticas no Reino Unido. Dias antes do referendo sobre o Brexit, a deputada trabalhista Jo Cox foi alvejada e esfaqueada, acabando por morrer na sequência dos ferimentos. O responsável foi Thomas Mair, um homem associado a grupos de extrema-direita. Durante o ataque, gritou “Britain First” [“Britânia em primeiro lugar”]. Foi condenado a prisão perpétua.

O perfil de quem matou a antiga deputada que era um dos principais rostos do Reform UK deverá ser conhecido em breve. Na memória coletiva britânica, a imagem de Ann Widdecombe ficará para sempre associada ao seu conservadorismo social, à irreverência das suas participações em programas de televisão e à forma controversa e carismática com que sempre defendeu as suas opiniões — nunca temendo ser impopular.