Obesidade aumenta risco de doenças urológicas e pode afetar fertilidade masculina, alerta especialista

Excesso de peso está associado a câncer de próstata e de rim, cálculos renais, alterações urinárias e disfunção erétil; mudança de hábitos continua sendo o principal tratamento

Redação

11 Jul 2026 16:00

O crescimento da obesidade no Brasil tem ampliado a preocupação de médicos não apenas pelos impactos cardiovasculares e metabólicos, mas também pelas consequências para a saúde urológica. Segundo especialistas, o excesso de peso está relacionado ao aumento do risco de câncer de próstata e de rim, cálculos renais, alterações urinárias, infertilidade e disfunção erétil.


 


Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de um terço da população brasileira já vive com algum grau de obesidade, enquanto entre 60% e 68% dos adultos apresentam excesso de peso. A pesquisa Vigitel 2025 também aponta que o número de brasileiros obesos cresceu 118% entre 2006 e 2024. No mesmo período, houve aumento de 135% nos casos de diabetes, de 47% no excesso de peso e de 31% na hipertensão, doenças frequentemente associadas entre si.


 


Para o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Luís César Zaccaro, a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica e não apenas como uma questão estética. “Quando falamos de obesidade, não estamos discutindo apenas o peso na balança. Estamos falando de saúde. O excesso de peso está relacionado a uma série de questões urológicas, como cânceres, alterações urinárias, redução dos níveis de testosterona, infertilidade e comprometimento da qualidade de vida sexual”, afirma.


 


Segundo o especialista, o excesso de gordura corporal provoca alterações hormonais e metabólicas que favorecem um estado inflamatório crônico, afetando diretamente o sistema urinário e reprodutor. Entre as doenças mais associadas à obesidade está o câncer de rim. O excesso de peso também figura entre os fatores de risco para o câncer de próstata, além de favorecer o desenvolvimento da hiperplasia prostática benigna, condição que provoca o aumento da próstata e dificulta a micção. Pessoas obesas ainda apresentam maior predisposição à formação de cálculos renais e à incontinência urinária.


 


Os efeitos também podem atingir a saúde sexual masculina. De acordo com Zaccaro, a obesidade interfere na produção de testosterona, hormônio responsável por diversas funções do organismo, o que pode reduzir a libido, prejudicar a ereção e comprometer a produção de espermatozoides.  “O sistema urológico sente os reflexos do desequilíbrio metabólico causado pela obesidade. Por isso, falar sobre controle do peso é também falar de prevenção, diagnóstico precoce e qualidade de vida”, destaca o médico.


 


Mudança de hábitos


 


Embora a obesidade seja considerada uma doença multifatorial, especialistas afirmam que mudanças sustentáveis no estilo de vida continuam sendo a principal estratégia para prevenção e tratamento. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, hidratação, sono de qualidade e acompanhamento multiprofissional estão entre as recomendações.


 


O médico também alerta para o risco de dietas extremamente restritivas e soluções que prometem resultados rápidos. Segundo ele, mudanças graduais e permanentes nos hábitos de vida tendem a oferecer benefícios mais duradouros para a saúde do que estratégias temporárias de emagrecimento.