Cortesia / IVI – RMANJ​

Nos seres humanos, os ovários produzem hormonas como o estrogénio, a progesterona, a inibina e a testosterona, todas elas com efeitos importantes em diversos órgãos e sistemas do organismo.

No entanto, estes órgãos reprodutores femininos sofrem alterações significativas relacionadas com a idade muito antes da chegada da menopausa — pelo menos em ratos.

Embora os estudos realizados em ratos não permitam tirar conclusões diretas sobre os seres humanos, estes animais partilham mecanismos biológicos connosco, pelo que podem fornecer pistas sobre o envelhecimento reprodutivo.

Num novo estudo, publicado o mês passado na Nature Aging, os investigadores analisaram 22 ovários de ratos recolhidos em diferentes idades e fases do ciclo reprodutivo. Em seguida, procuraram identificar padrões na forma como o tecido ovariano se altera ao longo do tempo.

Segundo o ScienceAlert, a investigação permitiu mapear a forma como as células de cada ovário interagem entre si, abrangendo a análise de 358 oócitos, 668 folículos e 236 corpos lúteos.

Os sinais de envelhecimento surgiram muito antes de os animais entrarem na fase final da sua vida reprodutiva. Com o avançar da idade, o tecido ovariano começou a degenerar e as células que normalmente funcionam de forma coordenada para regular o desenvolvimento dos folículos, a ovulação e a remodelação dos tecidos foram perdendo essa coordenação.

Os investigadores observaram igualmente alterações na dinâmica das células imunitárias dos ovários envelhecidos, acompanhadas por um aumento dos sinais de inflamação e por uma maior desorganização dos tecidos.

“Estes resultados indicam que o envelhecimento reprodutivo pode ser encarado como uma quebra progressiva da coordenação ao nível dos tecidos, em vez de resultar apenas na diminuição da reserva folicular”, explicaram os autores.

Estas descobertas poderão vir a ter implicações, em especial, para pessoas submetidas a uma ooforectomia, procedimento cirúrgico que consiste na remoção de um ou de ambos os ovários. A cirurgia pode ser realizada para tratar determinadas doenças, como alguns tipos de cancro ou a endometriose, ou integrar cuidados de afirmação de género.

Compreender melhor o papel dos ovários para além da produção de óvulos, nomeadamente a sua função hormonal e a forma como esta se altera com a idade, poderá, no futuro, contribuir para estratégias clínicas mais personalizadas, tanto para pessoas submetidas a ooforectomia como para mulheres durante o processo natural de envelhecimento reprodutivo.

Por fim, a equipa já iniciou uma colaboração com investigadores das áreas da obstetrícia e da ginecologia para recolher amostras de ovários humanos de diferentes faixas etárias, com o objetivo de verificar se estas observações também se confirmam nos seres humanos.