Comprar produtos a preços reduzidos em plataformas asiáticas na Europa está prestes a deixar de ser um negócio atrativo para os consumidores. A isenção alfandegária para encomendas com valor inferior a 150 euros chegou ao fim, mudando a dinâmica do comércio eletrónico de baixo custo na Europa. A partir de agora, as compras na AliExpress, Temu ou Shein vão pesar muito mais, com os impostos a anularem a vantagem dos preços baixos.

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O peso das novas taxas por categoria

A grande alteração que já está a surpreender os compradores no momento de finalizar a encomenda prende-se com o novo modelo de taxação. Ao contrário do que se poderia esperar, a cobrança não é um valor único aplicado ao pacote, mas sim um custo associado a cada categoria de produto, definida pelo seu código pautal.

Na prática, isto significa que a aquisição de artigos diferentes gera encargos multiplicados. Se um consumidor encomendar três camisolas iguais, suporta um único agravamento. No entanto, se misturar uma camisola e um par de calças na mesma compra, o sistema identifica duas categorias distintas e duplica o custo aduaneiro, mesmo que os artigos viajem na mesma caixa.

A composição do material também influencia esta classificação, pelo que uns sapatos de lona e outros de pele resultam em taxas separadas. Assim, encher o carrinho com vários produtos baratos e diversificados deixou de ser vantajoso.

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Mais custos a caminho no outono na Europa

Para além da tributação por tipologia de produto, os consumidores preparam-se para um novo embate financeiro a muito curto prazo. A Europa tem planeada a introdução de uma taxa de gestão adicional, que deverá entrar em vigor já durante o outono. Este novo encargo destina-se a financiar a tramitação e o processamento logístico dos pacotes nas alfândegas, agravando ainda mais o valor final pago pelo cliente.

A justificação europeia para o fim das isenções e a aplicação destas novas taxas assenta na evolução tecnológica. Se no passado a incapacidade burocrática para processar milhões de pequenos pacotes impedia a tributação, hoje a digitalização dos controlos aduaneiros permite uma fiscalização rigorosa e imediata.

Com este conjunto de medidas, a Europa procura também travar a vantagem competitiva das plataformas extracomunitárias e proteger o comércio interno. Para o consumidor, o paradigma mudou de forma definitiva. O preço de montra dos artigos deixou de ser o único fator a ter em conta, sendo agora essencial calcular o impacto das diferentes categorias e das novas taxas de gestão antes de avançar para o pagamento.