O presidente francês, um dos vitoriosos desta segunda-feira, anunciou estes acordos depois da conclusão da Cimeira da Coligação de Boa Vontade, que teve lugar em Paris e juntou vários Estados e Instituições no apoio à defesa da Ucrânia contra a Rússia.


Ao lado do presidente Volodymyr Zelenskiy, Emmanuel Macron disse ainda que os aliados da Ucrânia concordaram em iniciar exercícios militares nos países vizinhos da Ucrânia como parte de um plano para uma força ⁠multinacional ‌que seria destacada assim que houvesse cessar-fogo com a Rússia.

“Decidimos hoje sobre os exercícios que terão lugar nos próximos meses”, referiu o presiendet francês. “Serão realizados nos países vizinhos da Ucrânia para validar os nossos planos de destacamento e demonstrar que estamos prontos, determinados e fiáveis”, esclareceu.


Licenciar produção à Ucrânia



Paris está ainda a licenciar a produção de vários recursos
, incluindo o míssil Scalpcruise, anunciou ainda Macron.


“No início desta tarde, o Presidente (Volodymyr) Zelenskiy e eu
acordámos um roteiro entre os nossos dois países, implementando o que
tinha sido acordado em princípio em Novembro passado relativamente à
nossa cooperação bilateral em matéria de defesa”, disse o presidente francês. Esta  foi a primeira vez que a França aceitou licenciar a produção à Ucrânia,
uma medida que lhe permitiria aumentar os stocks numa altura em que a
Rússia está a intensificar os ataques contra o país.

A produção
centra-se nas bombas ar-terra guiadas com precisão AASM, nos mísseis
intercetores de defesa aérea Aster e nos mísseis de cruzeiro de longo
alcance Scalp, lançados do ar, que também são produzidos pela
Grã-Bretanha.


Já o Reino Unido e a UE acordaram apoios orçados em 90 mil milhões de euros.


Projeto Freya


Sobre o projeto de desenvolvimento do míssil balístico integrado, o líder francês frisou que a coligação formada esta segunda-feira, visa, em particular, “unir as nossas forças e conhecimentos para desenvolver novas capacidades”.

“Este é o objetivo do projeto Freya, que, ao combinar as capacidades dos nossos países e de várias das nossas indústrias, nos permitirá desenvolver uma oferta conjunta e acelerar a proteção da Ucrânia”, afirmou. O Freya é um projeto de defesa antimíssil balístico liderado pela empresa ucraniana Fire Point, concebido como uma alternativa mais barata ao míssil americano Patriot ou ao míssil franco-italiano Aster.

O presidente francês anunciou também que serão cedidos sistemas de radar à Ucrânia. 


Acrescentou que Zelensky também pediu a entrega de sistemas de defesa aérea SAMP-T de última geração, que se seguiriam às entregas da versão anterior e de um lote de mísseis.

Durante a conferência de imprensa conjunta, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reconheceu que o seu país possuía “apenas os componentes do sistema” necessários para o seu desenvolvimento.

“Juntos, nos próximos 12 meses, podemos desenvolver este míssil antibalístico”, afirmou, acrescentando que seria “produzido em massa” e “de baixo custo”.

“Este é um dia histórico para todos nós”, concluiu.

Kiev continua contudo a necessitar de intercetores Patriot, norte-americanos, para agora e para o inverno que se avizinha.

“Uma das principais formas de fortalecer a nossa posição coletiva deve ser um pacote de mísseis de defesa aérea para o inverno”, escreveu Zelensky no Telegram.

“Calculamos que este pacote deverá incluir 100 mísseis Patriot por mês, 300 mísseis para o inverno. Peço que considerem esta proposta”.


Portugal já admitiu que poderá vir a fazer parte do projeto Freya, conforme avançou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.