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Uma refeição levada de casa tornou-se o mais recente motivo de discórdia nas praias italianas, depois de uma mulher ter sido confrontada por consumir uma sandes caseira num estabelecimento balnear privado na Puglia.

Segundo o The Guardian, a questão surgiu em Vieste, uma cidade costeira na Puglia, no sul do país. Embora não exista qualquer regra nacional que proíba os clientes de praias concessionadas de levarem comida e bebida, alguns concessionários estabelecem as suas próprias normas.

“Paguei 850 euros pela época balnear e gasto dinheiro no bar. Não podem esperar que gaste até 50 euros por dia para comer no restaurante. Não sou obrigada. Eles podem estabelecer as regras do estabelecimento, mas debaixo do meu guarda-sol faço o que entender”, afirmou Beatrice Bordo.

O governador da região da Puglia, no sul de Itália, Antonio Decaro, afirmou, num vídeo publicado no Facebook, “com espanto”, que ninguém pode impedir as pessoas de comer na praia alimentos levados de casa, considerando ainda “exorbitantes” os preços do aluguer de espreguiçadeiras e chapéus de sol. “O mar é um bem comum e não deve tornar-se um luxo”, escreveu na legenda da publicação.

A cena foi testemunhada por um jornalista do Corriere della Sera, que a noticiou e reacendeu um debate sobre as regras de conduta nas praias, mas também sobre o modelo de concessões privadas

“Com dois filhos não posso permitir-me comprar todos os dias sandes no bar ou comer no restaurante”, explicou ao jornal Rosaria, de 35 anos. À hora do almoço, pediu ao filho, que estava com fome, que fosse comer junto ao mar, longe do olhar dos funcionários do estabelecimento. No entanto, o rapaz foi visto e Rosaria foi advertida de que o regulamento da praia proíbe o consumo deste tipo de refeições.

Nicola Ragno, presidente da secção local da Assoturismo, a associação que representa os concessionários de praias, defendeu que as refeições trazidas de casa “prejudicam a imagem” dos estabelecimentos balneares, alegando que muitos clientes não se limitam a uma simples sanduíche, mas acabam por organizar piqueniques.

A percentagem do litoral ocupada por concessões privadas varia consoante a região: ronda os 20% na Sardenha e atinge cerca de 70% na Emília-Romanha e na Ligúria. A maioria destes estabelecimentos disponibiliza serviços de bar e restaurante, o que significa que, em grande parte das zonas concessionadas, os banhistas encontram uma basta oferta de restauração.

De acordo com a associação de consumidores Altroconsumo, o custo médio do aluguer de duas espreguiçadeiras e um guarda-sol aumentou 6% face a 2025, tendo registado subidas de até 16% em alguns destinos. Em várias praias da costa do Lazio o aluguer diário ronda os 20 euros durante a semana, aumentando alguns euros aos fins de semana.